segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Primeiro Curso de Mobiliário Adaptado em PVC no Rio de Janeiro

ATENÇÃO, eu não represento e nem possuo uma firma de móveis adaptados! Os móveis exibidos nesta postagem não estão a venda. Por favor não enviem e-mails solicitando encomendas!
Neste último final de semana participei do I curso de mobiliário adaptado em PVC no RJ.
Já tem tempo que eu aguardava ansioso pela oportunidade de aprender a confeccionar mobiliários utilizando canos de PVC. Na verdade, cheguei a fazer uma cadeira de banho utilisando um manual da Rede Sarah mas acreditem: não chega nem aos pés do que é ensinado no curso!
O curso foi ministrado pela Terapeuta Ocupacional Grace Claudia Gasparini e pela fisioterapeuta Sandra Regina B. Ramalho Zoratti. Aprendemos na prática a forma correta de cortar canos e espuma, planejar improvisações. Olha, não tenho palavras pra dizer o quanto eu gostei do curso... as técnicas ensinadas, a didática e atenção das professoras e principalmente fato dos equipamentos terem sido medidos e confeccionados para pacientes reais, que compareceram no curso e depois experimentaram e levaram pra casa os mobiliários foi o grande diferencial do curso!
Além disso, a chance de trocar experiência com Terapeutas Ocupacionais (mais de 80% da turma) enriqueceram e muito minha visão como reabilitador.
E tem mais: Vamos levar as grandes empresas de material adaptado a falência!!!!!!
Seguem abaixo algumas fotos
Aprendendo a fazer as medições para a confecção de um dos modelos de mobiliário em PVC

Depois de medir, serrar e montar, é preciso fixar os canos com segurança.
Mãos a obra
Medindo e cortando a espuma dos encostos e assentos
A obra prima !!!
Acima, o estabilizador sendo confeccionado, e abaixo os últimos detalhes do ajuste à paciente. (funciona igualzinho àqueles estabilizadores que a gente vê nos catálogos)
A primeira turma do RJ
Acima, da direita para a esquerda: Arla Lôbo, organizadora do curso; Sandra Zoratti, professora; eu, blogueiro; Grace Gasparini, professora; e Denise Oliverira, TO, colega de trabalho

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

. . . enquanto isso na novela viver a vida . . .


Pessoalmente eu não curto muito assitir novelas, mas por motivo de força maior (entenda-se minha esposa), acabo vendo alguns trechos das novelas da Globo.
Recentemente li no blog Mobilidade Funcional uma nota de repúdio do CREFITO-SP em relação à um diálogo da novela. Eu não assisti esta parte, pois provavelmente devia estar ocupado fazendo alguma coisa de útil como cortando as unhas do pé ou lendo o gibi da turma da mônica... enfim, pelo que li no blog do Rodrigo, o diálogo foi uma tremenda gafe, principalmente em tempos de ato médico. Mas esse tipo de coisa não me surpreende, pois mal gosto é algo típico da Rede Globo, vide Faustão, Galvão Bueno e Zorra Total, isso só pra citar algumas pérolas.

Ontem eu assisti a um capítulo inteiro só pra exercitar o meu espírito de porco e poder criticar as gafes da novela. Ao término da minha análise crítica sobre este programa, cheguei à conclusão de que a assistr a novela viver a vida é tão útil pra mim quanto ler bula de absorvente íntimo feminino:
"Pode ser curioso, algumas vezes até engraçado, mas definitivamente não me acrescenta nada de útil."

Influenciado pelo CQC, segue abaixo uma relação de 10 coisas bizarras da novela viver a vida:
(1) A família da Luciana (que é muito, muito, mas muito podre de rica) poderia ter fretado o Jatinho-UTI e levado a moça para algum centro de referência em Lesão Medular em Israel ou na Europa para que ela fosse operada em um hospital equipado com o que há de mais moderno em termos de neurocirurgia. Mas ao invés disso, eles preferiram trazê-la ao Brasil e operá-la em um hospital geral do RJ.

(2) E por falar nisso, a descompressão medular dela não era uma urgência?

(3) Agora uma questão filosófica-existencialista: Quem está maquiando a Luciana na UTI?

(4) Apesar da demora na cirurgia, eu tenho de dar o braço a torcer, pois o neurocirurgião que operou a Luciana é um cara excepcional, não deixou nem mesmo edema residual. Considerando que a lesão foi alta e que o acesso cirúrgico foi anterior, me comovi quando a vi gritando com a mãe poucos dias após a operação (essa parte da novela eu vi).

(5) No hospital não tem enfermeiras e nem técnicas?

(6) A parte do fisiatra eu pulo.

(7) Se o Hospital que ela está internada é tão bom, porque eles não tem um colchão pneumático ou mesmo um simples "caixa de ovos". Pô, nem mesmo um travesseiro eles deixaram com ela...

(8) Por falar nisso, Acho que a equipe de reabilitação da novela está esperando aparecer a primeira úlcera de decúbito pra começar a orientar mudanças de decúbito a cada duas horas...

(9) Apesar do grande número de monitores à beira do leito (que denota no mínimo preocupação com a estabilidade clínica da paciente) ela não tem sequer um acesso venoso... se ela se encontra tão estável clinicamente, porque não dão logo alta? Olha a infecção hospitalar!

(10) Acho que além da descompressão medular foi feita também uma artrodese vertebral sinistra, aparentemente desde o Occipital até mais ou menos T12, pois mesmo sem nenhum apoio cervical ela mantém a cabeça em posição neutra tanto acordada quanto dormino. Como eu disse... sinistro!

Bem, quero terminar dizendo que eu precisava tirar um sarro dessa novela. Acho que laveia alma de muita gente por aí. Quero agradecer a inestimável acessoria novelesca da estagiária Fernanda, das enfermeiras e técnicas do INTO e também de Dona Mercedez, minha vizinha de 79 anos, telespectadora assídua da novela viver a vida.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Questionário SF-36: Avaliando a Qualidade de Vida Relacionada à Saúde


Muitas pesquisas clínicas em fisioterapia vêm utilizando o questionário SF-36 em suas investigações. Para quem não conhece, o SF-36 é um questionário composto por 36 perguntas que avaliam a percepção da doença pelo ponto de vista do próprio paciente.
O fato do questionário ser centrado no impacto da patologia sobre a qualidade de vida e não na patologia ou nos sinais clínicos é justamente o grande diferencial deste instrumento. Afinal de contas, o objetivo de qualquer programa de reabilitação não é melhorar a qualidade de vida do indivíduo???

O "Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey” (SF-36) é um questionário genérico que avalia aspectos da qualidade de vida que estão diretamente relacionada a saúde do indivíduo. Muitos dos pacientes que necessitam de fisioterapia apresentam restrições físicas e déficits funcionais. No entanto, é importante lembrar que a reabilitação de um paciente envolve muito mais do que apenas uma doença. Neste sentido é essencial ter em mente que o paciente não é só um joelho, não é só uma hérnia de disco ou uma neuropatia. As limitações físicas têm repercussão sobre a esfera emocional de qualquer pessoa. Assim, a depressão e a presença de distúrbios de comportamento são fatores que apresentam grande impacto sobre a qualidade de vida do paciente. Neste ponto, o SF-36 oferece uma valiosa ajuda complementando a nossa avaliação física do doente.

O SF-36 avalia oito conceitos (ou dimensões) de saúde: Capacidade Funcional, Aspecto Físico, Dor, Estado Geral de Saúde, Vitalidade, Aspectos Sociais, Aspectos Emocionais e Saúde Mental. Foi traduzido e validado no Brasil em 1997 pela pesquisadora Rozana Mesquita Ciconelli.
Quem quiser baixar o artigo, basta acessar este Link

Como Aplicar o SF-36
O SF-36 pode ser aplicado de diversas formas: Lido e preenchido pelo próprio paciente, lido por um entrevistador e preenchido pelo paciente e até mesmo em entrevistas pelo telefone.
Se você estiver usando o SF-36 em um trabalho de campo, é preciso estar atento ao fato de que o paciente não pode ser ajudado a responder o questionário, nem por você e muito menos por um parente. Se você estiver lendo o questionário para o paciente, esta entrevista deve ser conduzida sem a presença de acompanhante, pois algumas perguntas são bastante pessoais. Ex: Uma das perguntas é: "quanto tempo você tem se sentido uma pessoa feliz". Já imaginou se o(a) cônjuge começa um bate boca querendo saber exatamente o que está fazendo o(a) paciente assim tão infeliz? Pois é, para evitar este tipo de coisa e assegurar uma resposta sincera que se pede para que o(a) paciente esteja desacompanhado(a).

Ao final da aplicação, você vai passar divertidos momentos somando cada um dos escores e calculando os pontos de cada domínio.


Tem um link no Scribd para quem quiser baixar o questionário.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A Síndrome de Pusher

Após um longo e tenebroso inverno, no qual permaneci mais de uma semana sem o meu computador graças à um conflito de softwares (seja lá o que isso for), voltei a postar. Espero que gostem do tema.


Síndrome de Pusher

A fisioterapeuta Patricia Davies, em 1985, descreveu a tendência de alguns pacientes com AVC de inclinar-se demasiadamente para o lado parético. Estes pacientes, ao invés de se puxarem na tentativa de sustentarem seus corpos, empurram-se em direção ao lado parético utilizando os membros não-afetados.

Ela denominou este comportamento de síndrome de Pusher (ou em uma tradução literal, algo como “síndrome do empurrador”). Este comportamento “Pusher" é considerado uma das mais intrigantes alterações de controle postural encontradas em pacientes com lesão encefálica e pode estar associado a sintomas neuropsicológicos hemisféricos tais como a heminegligência e a anosognosia.

Sinais e Sintomas da Síndrome de Pusher

A síndrome de Pusher é também descrita na literatura internacional pelos termos: “ipsilateral pushing”, “contraversive pushing”, “listing” e “lateropulsion”. Independente da denominação utilizada, os sintomas observados clinicamente são os mesmos.

Pacientes com esta síndrome, ao invés de se puxarem na tentativa de sustentarem seus corpos, empurram-se em direção ao lado parético utilizando o membro não-afetado. Diante da tentativa de correção passiva, esses pacientes utilizam o lado não afetado para resistir à correção, relatando insegurança e medo de cair (fig. 1). Caso não sejam impedidos, eles empurram-se lateralmente ao ponto de caírem em direção ao lado hemiparético, sendo portanto pacientes de alto risco para quedas.



Seria a Síndrome de Pusher causada pela heminegligência e, portanto, uma desordem típica de lesões do hemisfério direito?
Davies observou que o comportamento “Pusher” não é exclusivo de lesões do hemisfério direito, como é o caso de pacientes que apresentam negligência espacial. A síndrome de Pusher também ocorre com as lesões do hemisfério esquerdo. Esta constatação foi obtida a partir do “The Copenhagen Stroke Study” ( o Copenhagen Stroke Study foi uma gigantesca pesquisa que investigou todos os casos de AVC agudo, N = 1.197, ocorridos na cidade de Copenhague entre setembro de 1991, e setembro de 1993). Pois bem, como dizia, um dos frutos desta pesquisa foi um estudo de 327 pacientes com AVC e hemiparesia, que identificou que o dano do hemisfério direito e esquerdo ocorre com igual freqüência em pacientes com síndrome de Pusher (dano cerebral esquerdo 47%; dano cerebral direito: 53%). Além disso, ao contrário do que se pensava até então, não foram encontradas evidências de associação tipo causa e efeito entre a Síndrome de Pusher e a negligência espacial, anosognosia, afasia, ou apraxia.

Pode-se concluir que apesar da presença de sintomas de negligência (lesão do hemisfério direito) e de afasia (lesão do hemisfério esquerdo) estarem altamente associadas com o Pusher, ambos os transtornos não podem ser considerados como causa desta síndrome.

Desta forma, devemos nos questionar: Afinal de contas, qual ou quais estruturas levam ao Pusher? Estudos recentes de imagem por ressonância magnética e tomografia computadorizada indicaram que os núcleos ventral posterior e lateral posterior do tálamo são estruturas críticas para a manifestação desse comportamento (Lafosse C, Kerckhofs E, Vereeck L, Troch M, Van Hoydonck G, Moeremans M, et al. Postural abnormalities and contraversive pushing following right hemisphere brain damage. Neuropsychol Rehabil. 2007;17(3):374-96.)

O que há de errado com pacientes com síndrome de Pusher?
Karnath et al, em 2000, realizaram um experimento bastante interessante para examinar a capacidade de pacientes com síndrome de Pusher de determinar a posição vertical de olhos fechados. Utilizando um dispositivo que permitia a inclinação do assento do paciente para a direita ou para a esquerda, os investigadores encontraram uma percepção alterada da orientação do corpo em relação à gravidade.
Neste estudo, após inclinações aleatórias para a esquerda ou para a direita, de pelo menos 35 graus, os pacientes eram solicitados a indicar o momento em que a cadeira em que estavam sentados estaria na posição vertical. Em média, os pacientes com síndrome de Pusher se sentiam "orientados" na vertical, quando a cadeira estava inclinada cerca de 18 graus para o lado da lesão cerebral (Fig. 2a).

Sentados em uma cadeira inclinável, os pacientes com a síndrome de Pusher eram solicitados a indicar quando atingissem a orientação vertical do corpo".
[A] Com os olhos fechado, os pacientes indicaram estar na vertical quando na verdade estavam inclinados cerca de 18 graus para a lado da lesão cerebral,
[B] Utilizando dicas visuais do láboratório, os pacientes eram capazes de se alinhar com a vertical.

Surpreendentemente, os mesmos pacientes não apresentaram pertubação da orientação visual (Visual Vertical). Assim, os pacientes com síndrome de Pusher do estudo eram capazes de alinhar o eixo longitudinal do corpo com a vertical caso utilizaressem “dicas” visuais como uma pilastra ou o alinhamento vertical de uma porta.

Temino por aqui esta postagem, mas vou deixar alguns links para os artigos que consultei para escrever este pequeno texto. Realmente um assunto interessantíssimo. Espero escrever novamente sobre a Síndrome de Pusher dentro em breve.

Referências:

The Compenhagen Stroke Study (artigo)

Understanding and treating "Pusher Syndrome" (artigo)

Natural recovery of Pusher Syndrome (artigo)

http://www.scamilo.edu.br/pdf/mundo_saude/59/215a220.pdf (artigo)

http://www.scielo.br/pdf/rboto/v71n4/a08v71n4.pdf (artigo)

http://www.pain-stroke.com/pusher_syndrome.htm (site)

Vida Longa e Próspera a todos os fisioterapeutas!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Prova de seleção de fisioterapeuta da Unipampa 2009 Parte II- Gabarito e Comentários do Mestre Yoda

Hummm ... Por 800 anos Jedis eu treinei. Agora Fisioterapeutas treinar devo.
Nova fase em meu treinamento Jedi hoje começa . Grande honra tenho em provas de concurso comentar. Aliada minha é a Força. E para responder estas perguntas eu a usarei, pois em todo Universo desafio maior não há, do que bom fisioterapeuta se tornar.
Em gramática, muita dificuldade tenho. Em Português de recuperação sempre ficava. Por isso Humberto traduzir minhas palavras deve.


É isso aí pessoal, agora eu tenho um ajudante para responder as questões mais cabeludas desses concursos. O Mestre Yoda passou por um processo seletivo extremamente rigoro para a vaga de auxiliar do Blog, e foi selecionado entre outros 3 finalistas pois sua habilidade em usar a Força para identificar as questões certas é muito útil. Os outros dois finalistas merecem menção honrosa:
Segundo Lugar: Lion, líder dos Thundercats e sua visão além do alcance;
Terceiro Lugar: Senhor Miyagi, que transformou o derrotado do Daniel Sam em campeão de Karatê.
Mas vamos deixar de papo furado e começar logo a comentar a prova:
Acerca do uso da crioterapia como modalidade terapêutica, julgue os itens a seguir.

61)Uma das vantagens do uso da massagem com gel é a de que nessa modalidade terapêutica os mecanoreceptores da pele são menos estimulados do que com a utilização das demais
formas de crioterapia.

Para saber se esta questão é verdadeira ou falsa, o candidato precisa saber que a aplicação de massagem estimula os mecanoreceptores. Embora não esteja implícito no enunciado, pode-se supor que a massagem com gel, como descrita no texto, tenha o objetivo de estimulação e não sedação. Vale lembrar que a técnica de Rood de massagem com gelo, é utilizada para estimular os mecanoreceptores. Nesta técnica, são realizados movimentos de varredura rápido e diretamente sobre os músculos como objetivo melhorar a contração muscular.
Portanto, a alternativa 61 é falsa.

Referências http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/alternativa/crioterapia/crioterapia_flavio.htm


62) Uma das principais indicações do uso do crioalongamento é a distensão muscular de primeiro grau.

Vamos a uma pequena revisão sobre distenção muscular:
De acordo com Gould (1993), a distensão muscular é definida como algum grau de ruptura nas fibras musculares, na junção músculo-tendão, no tendão ou na inserção tendinosa no osso. As distensões musculares são classificadas segundo a sua gravidade em três graus:
• Grau I (leve): As fibras são estiradas sem perda da continuidade, de forma que se mantém a integridade dos tecidos musculares;
• Grau II (moderada): Algumas fibras são rompidas, de forma que ela venha a perder parcialmente sua continuidade;
• Grau III (grave): Ocorre ruptura total das fibras musculares, de forma que ela se encontra sem sua continuidade.
Segundo Andrews (ANDREWS, J. R; HARRELSON, G. L; WILK, K. E. Reabilitação Física das Lesões Desportivas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. Ed. 2.) as distensões musculares de primeiro grau apresentam dor local, dor leve à contração ativa e ao alongamento passivo do músculo. Sendo que o tratamento inicial tem como ênfase a redução da dor, do espasmo e da inflamação no local lesionado, podem ser realizados exercícios precoces de alongamentos e amplitudes de movimentos, de acordo com a tolerância do paciente.
Então os dois pontos mais importantes que temos até aqui são:
# Em distensões grau I, as fibras são estiradas sem perda da integridade do tecido muscular# Nestes casos, tratamento inicial tem como ênfase a redução da dor, do espasmo e da inflamação.
Assim, me parece razoável afirmar que resfriar a área lesionada para obter analgesia, seguido de alongamento para minimizar o espasmo muscular seria uma boa abordagem terapêutica pois teria efeito direto sobre o ciclo dor-espasmo-dor Este mecanismo se dá devido ao aumento do limiar da dor e a diminuição da velocidade de condução nervosa que beneficiam o alongamento muscular, e em contrapartida favorece a redução da extensibilidade do tecido conectivo, proporcionando uma menor flexibilidade muscular.
Portanto, a alternativa 62 é verdadeira.

Fontes:
http://www.cds.ufsc.br/~osni/estudo_clinico_e_classificaca_das_lesoes_musculares.pdf
http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/crioterapia.htm
http://www.nead.unama.br/site/bibdigital/pdf/artigos_revistas/86.pdfhttp://www.fisionet.com.br/monografias/interna.asp?cod=12


63) Em geral, o resfriamento tecidual por crioterapia de bolsa de gelo, nos primeiros 10 minutos de aplicação, é capaz de provocar alterações na força do músculo solear.

No sistema músculo-esquelético, a queda da temperatura promove uma queda da força de contração. Segundo Worrell e Oliver apud Andrews (2000), a força muscular decresce durante a aplicação do gelo, devido ao efeito direto sobre o fuso muscular levando à redução da sensibilidade fusal e do reflexo tendinoso. Isto ocorre porque o resfriamento limita a velocidade de condução nervosa das fibras Ia e II, além de inibir o motoneurônio gama, diminuindo dessa forma o arco reflexo miotático.
Parece que o frio realmente inibe a contração, mas o problema é que o gabarito oficial indica que esta questão é Falsa. Em minhas pesquisas, não encontrei nada que eu pudesse usar para justificar o gabarito.
Mestre Yoda diz:
Falsa esta questão é, pois o Solear é um músculo profundo. Hummm .... longo é o tempo necessário
para um músculo profundo como o Solear o gelo resfriar.
Portanto, a alternativa 63 é falsa.

Fonte: http://www.fisionet.com.br/monografias/interna.asp?cod=12

64) Para potencializar o efeito da crioterapia por compressa de gel, deve ser colocada sobre a compressa uma bandagem compressiva.

Olha, não sou especialista em crioterapia. Segue abaixo o comentário da Luana, que gentilmente colaborou com aresposta, deixando uma dúvida sobre o gabarito oficial.

Crioterapia: a compressa de gelo pode ser usada juntamente com a bandagem elástica. O primeiro reduz o metabolismo e a bandagem e elevação diminuem a pressão de filtração capilar. São princípios diferentes e é efetivo 5 a 10 min. após a lesão.
Fonte: Knight. Crioterapia no tratamento de lesões esportivas, 2000, p.211-213.
Logo, esta afirmação é contrária a resposta do gabarito!

Gabarito oficial da alternativa 64 é falso... Porém há controvérsias.


Considerando a relação da biomecânica com o exercício terapêutico, julgue os itens a seguir.

65) Uma das formas de manter a melhor estabilização da cabeça do úmero no centro da articulação do ombro é fortalecer os músculos do manguito rotador.

O manguito rotador, composto pelos músculos músculos supraespinhos, infraespinhoso, subescapular e redondo menor é classicamente descrito como um grupo de músculos que cobre a cabeça do úmero e tem grande importância na estabilização, na força e na mobilidade do ombro.
Desta forma, a alternativa 65 é verdadeira.

FONTE: http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/impacto.htm


66) A estabilização das articulações dos membros inferiores é mais eficaz quando o exercício terapêutico é feito em cadeia cinética aberta.

Um movimento em CCF é definido como aquele nas quais as articulações terminais encontram resistência externa considerável a qual impede ou restringe sua movimentação livre.
Características dos exercícios em CCF incluem forças compressivas articulares aumentadas, aumento da congruência articular e portanto maior estabilidade, estimulação dos proprioceptores e melhoria da estabilidade dinâmica. Assim, atividades em CCF ajudam a reforçar a sincronização dos padrões de ativação muscular tanto para agonistas quanto para antagonistas, que se ativam durante estabilização e deambulação.
Portanto, a alternativa 66 é falsa.

FONTE:http://www.fisioterapiahumberto.blogspot.com/search?q=cadeia+cin%C3%A9tica+fechada


67) Na espondilolistese, o músculo piriforme apresenta hipertonia reflexa, na tentativa de impedir a nutação do sacro.

O gabarito oficial é verdadeira. Mas não consegui nenhuma referência que justificasse este gabarito.

Mestre Yoda diz:
O lado escuro da Força obscurece a tudo. Impossível ver a reposta. Ajuda aos universitários devo pedir.
Diversos testes ortopédicos e neurológicos, também conhecidos como testes especiais, podem indicar os fatores que causaram a perda funcional apresentada pelo paciente, facilitando assim a escolha da melhor terapêutica para o caso. Com relação aos testes especiais e suas respostas, julgue os itens subsequentes.

68) Com o teste de Ober positivo, o músculo reto femoral do lado testado deve ser alongado.

O teste de Ober, é um teste ortopédico que tem o objetivo de medir o comprimento da Banda Ilio Tibial. Portanto, em caso de teste positivo o alongamento deve ser direcionado a esta estrutura e não ao reto femoral.
Portanto, a alternativa 68 é falsa.
FONTE: http://www2.pucpr.br/reol/index.php/RFM?dd1=214&dd99=pdf


69) No teste de Cozen positivo, a terapia física dever ser direcionada para o epicôndilo medial do cotovelo comprometido.

O teste de Cozen (cotovelo a 90° com antebraço pronado, pede-se que o paciente estenda o punho contra resistência) é utilizado para investigar a presença de epicondilite lateral a qual manifesta-se clinicamente por dor centrada no epicôndilo lateral do cotovelo, com irradiação pela região da musculatura extensora da mão e do punho.
Assim, o teste de Cozen avalia os músculos com origem no epicôndilo Lateral (extensores de punho) e não no epicôndilo Medial (flexores de punho)

Portanto, alternativa 69 é falsa.


70) O resultado positivo no teste de Milgran pode ser indicativo da presença de protusão de disco intervertebral.

O teste de Milgram é um teste especial para a coluna vertebral. Este teste aumenta a pressão intratecal e caso seja positivo pode sugerir a presença de patologias intratecais, como por exemplo a protusão de disco intervertebral.
Teste de Milgram: O paciente deve estar em decúbito dorsal com ambos MI em extensão, peça-lhe para elevar ambas as pernas simultaneamente cerca de 5-10cm da maca, sustentando esta posição por 30 segundos. O teste é positivo se o paciente não conseguir manter os membros ou o membro afetado por 30 segundos ou se reproduzir as queixas do paciente. Este teste deve ser sempre realizado com cuidado devido a alta carga de stress colocada sobre a coluna lombar.
Portanto, alternativa 70 é verdadeira.

71) O músculo gastrocnêmio deve ser prioritariamente alongado no caso de o teste de Ely ser positivo.

O teste de Ely avalia se o reto femoral está encurtado. O paciente deita-se em prono e o examinador flexiona passivamente o joelho do paciente. Se durante a flexão ocorrer flexão de quadril na mesma perna, isso indica que o reto femoral está encurtado. Esta mesma pergunta caiu no concurso do Governo do Estado da Paraíba/ FUNDAC 2008, e já foi comentada neste blog

Portanto, alternativa 71 é falsa.

Que a força esteja com você.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Usos e abusos do gráfico de Pizza

Ainda em meio ao mal estar causado pela PL do ato médico, vou falar sobre um assunto que lembra bastante o Congresso Nacional: A Pizza; para ser mais exato, o gráfico de pizza.

Para que serve um gráfico?
Uma imagem vale mais do que mil palavras, os gráficos são um bom exemplo disso. Ao contrário do que muita gente pensa, um gráfico não é um enfeite e não serve só pra encher lingüiça na monografia. Em um trabalho de pesquisa, os gráficos têm a função de traduzir em imagem, os dados contidos no texto. A utilização adequada de um gráfico é capaz de substituir uma tabela, facilitando e muito, a visualização dos dados e tornando a leitura muito mais agradável.
Hoje vou falar sobre o gráfico de Pizza (também chamado de gráfico circular ou gráfico de setores). Este tipo de gráfico é muito popular nos meios de comunicação e em campanhas políticas. No entanto, se você não utilizá-lo corretamente, ele pode ter o efeito contrário do desejado. Ou seja: Pode acabar causando uma tremenda poluição visual, dificultando a interpretação dos dados e confundindo o leitor.

Quando usar gráficos de Pizza

Gráficos de Pizza são excelentes para demonstrar frações de um todo. Isto é: Quando você deseja que o leitor perceba o quanto cada dado representa em relação a sua amostra total.
Assim, vamos a um exemplo:
Suponha que eu esteja pesquisando o perfil da marcha de uma amostra de pacientes com Parkinson. Assim, eu classifiquei meus pacientes em 4 categorias e identifiquei a porcentagem deles na amostra: marcha extra-comunitária(20%), marcha comunitária (55%), marcha domiciliar (20%) e sem capacidade de marcha (5%). Imagine agora que eu resolva demonstrar meus achados sob a forma de um gráfico de Pizza. O resultado ficaria assim:

O leitor percebe sem muita dificuldade que a maior parte da amostra é composta de deambuladores comunitários, e que apenas uma pequena fração da amostra não tem capacidade de deambulação.
Agora imagine que você esteja fazendo um outro trabalho, desta vez utilizando um gráfico de pizza para descrever o perfil das patologias atendidas na clínica escola. Imagine a seguinte situação: AVC (12%), Parkinson (8%), artrose de joelho (4%), artrose de quadril (4%), hérnia de disco (10%), reconstrução de LCA (14%), esporão de calcâneo (6%), túnel do carpo (12%), escoliose (10%), ombro congelado (14%),paralisia facial (6%)


Como podem ver, o resultado neste caso é POLUIÇÃO VISUAL!
No caso acima existem dois problemas com o gráfico :
(1) Muitas variáveis sendo exibidas. Neste sentido, recomenda-se utilizar no máximo 6 fatias (categorias) em um gráfico de pizza para garantir uma visualização eficiente.
(2) O segundo problema é referente aos valores apresentados. Estes valores estão muito próximos. No exemplo acima, os valores estão em torno de 10%, deixando a área de cada fatia muito semelhante umas com as outras, o que dificulta a visualização de diferenças.


Dica:

tenha sempre em mente que um gráfico deve ser de fácil interpretação. Use o bom senso: Se o seu gráfico não for capaz de passar facilmente e rapaidamente a informação que você deseja, ele não serve pra nada. Não adianta botar efeitos 3-D, animações sofisticadas, texturas, fru-frus e lantejoulas. Lembre-se do que a vovó já dizia: Beleza não põe mesa.

Ainda sobre os efeitos especiais, o Excel permite que sejam criados gráficos de Pizza com efeito 3-D. Não há problema nenhum em utilizá-los, mas fique atento(a), pois estes efeitos também podem causar poluição visual.

No entanto, existe um efeito 3-D muito legal e que é capaz de valorizar bastante seu trabalho. Em algumas situações é interessante destacar uma fatia, chamando a atenção do leitor para este dado em especial. Este efeito é conhecido como "Pizza Explodida". Veja abaixo como ficaria o primeiro gráfico se eu quisesse valorizar ainda mais os deambuladores comunitários:

Bem, espero que tenha sido útil.

Vida Longa e Próspera