Introdução (ou algo que o valha)

Já vou logo avisando.
Não atualizo esse blog com a frequência que vocês merecem, mas quando resolvo escrever uma postagem eu pesquiso o tema com uma dedicação canina e redijo o texto com carinho maternal. Quanto a isso, dizem por aí que só existem 3 certezas na vida: A Morte, o Imposto de Renda e as informações encontradas neste blog (essa última certeza é fruto de um dos meus delírios de grandeza, hehehe).
Espero que encontrem a informação que procuram, que tirem as dúvidas, e que algum dia eu ganhe sozinho na mega sena.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Fisioterapia Pode Ajudar Pessoas com Ataxia de Friedreich

IMPORTANTE:
Esta é uma postagem direcionada a estudantes e profissionais da área de saúde. Não prescrevo exercícios e não faço consultas pela internet.



INTRODUÇÃO

A Ataxia de Friedreich (AF) é uma doença neurodegenerativa autossômica recessiva caracterizada por sintomas cardíacos, musculares e metabólicos, causados pela degeneração de estruturas no cerebelo e da medula espinal.

Diagnóstico clínico da Ataxia de Friedreich
A testagem genética é capaz de identificar a AF. Porém, por motivos financeiros óbvios, não se realiza o exame genético em todos os pacientes.
O início dos sintomas geralmente começa entre as idades de 5 e 15, mas são geralmente referido pela primeira vez na adolescência. A maioria dos pacientes torna-se dependente de cadeira de rodas pela segunda ou terceira década de vida. Além dos sinais típicos de lesões cerebelares (marcha atáxica, déficit de equilíbrio, dismetria, disartria, disfagia e nistagmo), as manifestações clínicas incluem também a diminuição da sensação de toque leve, da propriocepção e da sensação vibratória, fraqueza progressiva dos braços e pernas, pés cavos, cifoescoliose, além de atrofia óptica (25% dos casos), perda de audição (cerca de 10% dos doentes), diabetes em 10% dos indivíduos afetados) e cardiomiopatia (dois terços dos doentes). A cardiomiopatia e a diabetes são, geralmente, as causas de morte, mas também uma pneumonia provocada pela disfagia, pode encurtar o tempo de vida destes pacientes [1]

TRATAMENTO
Não há cura para a AF. Os sintomas e as complicações que acompanham podem ser tratados para ajudar o paciente a manter a qualidade de vida tanto quanto possível. Como em tantas outras doenças, o tratamento adequado deve envolver uma equipe multidisciplinar composta por Médicos, Terapeutas Ocupacionais, Fonoaudiólogas, Psicólogos e Fisioterapeutas.

TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO:

OBJETIVOS
As metas gerais da fisioterapia são potencializar ao máximo a função e minimizar a incapacidade, deformidades e dor. Outro objetivo primário nestes pacientes é prolongar as habilidades de locomoção (aqui incluem-se tanto a marcha quanto a capacidade de “tocar” a cadeira de rodas). As principais responsabilidades do fisioterapeuta são ensinar ao paciente um programa de exercícios domiciliares abrangentes para complementar a fisioterapia ambulatorial.

AVALIAÇÃO
O paciente com AF vai precisar de uma avaliação completa e minuciosa por parte do fisioterapeuta. A avaliação deve incluir a avaliação da marcha, força, flexibilidade, amplitude de movimento, equilíbrio, coordenação, alinhamento da coluna, postura, estado funcional, resistência a fadiga, e necessidade de dispositivos auxiliares da marcha. Testes clínicos de avaliação da marcha e do equilíbrio podem ser úteis nas fases iniciais, quando o paciente ainda é capaz de realizar as trocas posturais e deambular de forma independente.

O TREINO DE MARCHA
O treino de marcha é um componente chave do plano de tratamento. O padrão de marcha na AF é caracterizado por uma marcha insegura, com passos desordenados, base de sustentação aumentada (pernas afastadas), balançando em exagero os braços e pernas, elevação demasiada das pernas e batida brusca do calcanhar contra o solo (marcha tabética, também chamada marcha calcaneante ou talonante). A batida dos pés contra o solo é proposital. O paciente causa este impacto como forma de gerar algum input proprioceptivo, e assim saber se o pé já encontrou o solo. E justamente por esta falta de input proprioceptivo, o paciente também costuma caminhar olhando para o solo, de forma a regularizar os movimentos incoordenados dos membros inferiores através do controle visual.
A denominação científica, e clinicamente mais adequada, para este padrão de marcha é “marcha atáxica da síndrome radiculocordonal posterior” (ataxia sensitiva).
Neste ponto é fundamental ter em mente que devido a perda da propriocepção, é necessário instruir o paciente a prestar atenção a seus pés enquanto caminha para melhorar a aterrisagem do pé ao final da fase de balanço.

Pacientes com AF perdem a capacidade de deambulação dentro de oito a 10 anos do início dos sintomas [2] Mesmo quando o paciente precisar de cadeira de rodas para a locomoção, a importância da marcha em casa e do ortostatismo para a descarga de peso sobre os membros inferiores devem ser enfatizadas pelos fisioterapeutas.

Exercícios de fortalecimento
Nos exercícios de fortalecimento, o paciente não deve ser levado a exaustão. Deve ser dada preferência a exercícios com poucas repetições, carga baixa e períodos de descanso entre as séries. O fortalecimento dos músculos das cinturas pélvica e escapular é importante para manter a postura e o uso funcional dos membros. Exercícios de fortalecimento do tronco podem ser úteis para minimizar a escoliose. Exercícios de PNF são recomendados para pacientes atáxicos. Neste caso, a estabilização rítmica pode ser utilizada para promover a estabilização do tronco com o paciente em prono sobre os cotovelos, na posição quadrúpede, ou de pé [3].

Exercícios de alongamento
Alongamento do tríceps sural e do arco do pé são importantes para pacientes com AF, devido a presença do pé cavo [3], o alongamento da musculatura de tronco é benéfico para o encurtamento muscular associado a escoliose. Em pacientes cadeirantes, os tendões flexores do quadril e joelho não podem ser esquecidos.

Exercícios de Coordenação
Ao instruir o paciente em exercícios de coordenação, é importante instruí-los a "observar" o movimento durante a realização do exercício. Às vezes, um espelho pode ser útil durante a execução destes exercícios. Os exercícios de coordenação não precisam se limitar aos exercícios de Frenkel, e podem (e devem) incluir atividades do dia a dia do paciente tais como cozinhar, fazer artesanato, escrever ou mesmo dançar, com instruções para que o paciente permaneça observando as atividades.

Exercícios de Equilíbrio
Devido a ataxia, os pacientes podem relatar quedas frequentes. Os exercícios de equilíbrio podem ajudar com a melhoria ou manutenção do equilíbrio de pé, durante a marcha e ao se movimentar. Instrua o paciente a fazer esses exercícios na frente de um espelho ou manter os olhos sobre um objeto parado (referencial) durante as atividades terapêuticas.

Condicionamento
Condicionamento cardiovascular deve ser enfatizado para o paciente com AF. Exercícios moderados geralmente não são contra-indicados desde que não haja disfunção cardíaca. [3] Exercícios em uma bicicleta estacionária podem ser realizados desde que o paciente consiga se manter estável durante o exercício. A Natação ou exercícios aquáticos também são benéficos.

Necessidades de equipamentos
Dispositivos auxiliares da marcha são úteis para compensar a perda de coordenação e força. No caso, as órteses, aparelhos de apoio e cadeiras de rodas podem ser recomendados para auxiliar com a deambulação e mobilidade.

CONCLUSÃO
Antes de estabelecer o plano de tratamento para um paciente com Ataxia de Friedreich, o fisioterapeuta deve fazer seu dever de casa, e de posse das principais dificuldades enfrentadas por estes pacientes realizar uma avaliação minuciosa incluindo queixas subjetivas, capacidade funcional, postura, força muscular, amplitude de movimento, flexibilidade muscular, coordenação, mobilidade, marcha, resistência e resposta cardiovascular à atividade.

Estabelecer um programa de exercícios é de extrema importância para esta população de pacientes. Um programa de exercícios para ser realizado em casa contribui para a sensação de bem-estar do paciente. Não se esqueça de realizar reavaliações periódicas para a modificação e atualização do programa de exercícios domiciliares. Devido à natureza progressiva da doença, os ganhos de força ou de coordenação não são esperados, mas como já dito anteriormente, o objetivo maior de nossa intervenção é prolongar a função e assim garantir uma maior qualidade de vida [3]

REFERÊNCIAS
[1] (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/bookshelf/br.fcgi?book=gene&part=friedreich)
[2] Muscular Dystrophy Association. (2006). Friedreich's Ataxia Fact Sheet. Retrieved from the World Wide Web: www.mda.org.au/specific/mdafa.html
[3]Blattner, K. (1988). Friedreich's Ataxia: A suggested physical therapy regimen. Clinical Management, 8(4), 14-15, 30.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Primeiro Simpósio de Tratamento de Lesões Traumáticas do Plexo Braquial

É isso aí pessoal, acabei de receber um e-mail com a divulgação deste evento.
Além da indiscutível qualidade técnica dos palestrantes, este evento ainda será grátis. Isso mesmo! Totalmente 0800!
O evento ocorrerá no dia 13 de agosto, no Instituto de Neurologia Deolindo Couto/UFRJ, na Praia Vermelha, e mais uma vez repito: INSCRIÇÕES GRATUITAS. Confira a programação no final do post.

Para se inscrever, basta entrar em contato no e-mail
capemssaude@yahoo.com.br e solicitar a sua ficha de inscrição. Depois de preenchida, reenvie para este mesmo e-mail e aguarde a confirmação. Se você não tiver e-mail, ainda assim você pode se inscrever. Basta entrar em contato pelo telefone (21) 8700 0651

Uma dica importante: Se no e-mail de inscrição você informar que ficou sabendo do Simpósio pelo Blog "O Guia do Fisioterapeuta", você concorrerá a diversos brindes sorteados no intervalo.

Mas se você prefere evitar de sair de casa numa sexta-feira 13 por causa de alguma superstição, n~çao tem problema. Além de ceder a vaga para alguém que realmente irá aproveitar esta oportunidade, você pode ficar em casa vendo TV. Nas sextas a Ana Maria Braga costuma ensinar umas receitas ótimas de empadão de frango, ou quem sabe você pode preferir ligar pro programa Bom Dia e Cia e ficar gritando "Praistaixion, praistaixon, praistaixon" para aquelas duas crianças irritantes. . . como dizia minha avó: "Gosto não se discute, se lamenta"


Vamo lá galera... mandndo boas vibrações pra quem preferir ficar em casa . . . .


. . . praistaixion, praistaixion, praistaixion, praistaixion.

Nintendo Wii ou Academia?

Foi publicado no the New York Times ( link ): Jogar Nintendo Wii pode não ferrar seus joelhos, mas também não traz nenhum benefício cardiovascular. Esta é uma das conclusões da dissertação de mestrado de Dereck Troyer, da Universidade de Ohio. Este pesquisador comparou risco de uma pessoa se lesionar em uma academia de ginástica e de uma pessoa se machucar jogando Nintendo Wii. Ele descobriu que a galera da malhação tem quatro vezes mais chances de acabar em uma emergência do que uma pessoa que fica em casa jogando Wii, e se comparado as chances de você se machucar correndo em uma esteira, o Wii é 1,5 vezes mais seguro.

Mas pera lá! Nem tudo são flores. A pesquisa também descobriu que os benefícios de ir a uma academia são muito superiores aos benefícios do exercício virtual - mesmo quando os riscos de lesão são contabilizados. As pessoas tendem a queimar duas vezes mais calorias por minuto, fazendo uma atividade real do que ao fazer a mesma atividade no Wii.

Se você, assim como eu, for um daqueles entusiastas pelo Wii que odeia academia (na verdade eu não odeio a academia, mas sim os personagens bizarros que frequentam a academia - veja listagem no final do post...) , realmente é uma luta injusta. pense bem: você deixaria de jogar WiiFit no conforto do seu quarto com ar-condicionado para ficar correndo e levantando halteres pesados e tendo de dividir espaço e os equipamentos com um monte de gente suada?

Tudo bem que o Wii não é o melhor exercício. Mas pouco exercício é melhor do que nada, não é mesmo? e jogar Wii é certamente muito melhor do que bater uma pizza de calabreza e dois litros de refrigerante enquanto joga fazenda feliz no Orkut ou "World of Warcraft" com o rabo sentado na cadeira.

Eu frequento academia, a muito contragosto, diga-se de passagem. No momento só vou pra correr na esteira, isso por culpa do "gritador" um personagem da minha academia que costuma inibir minha vontade de me exercitar.

O GRITADOR
O gritador é um sujeito de meia idade, bastante musculoso e que fica se exercitando (aparentemente com pesos muito superiores ao que ele poderia levantar), e a cada exercício ele solta um urro longo e gutural. Muito parecido com o barulho que uma pessoa faz no banheiro durante uma crise de dor de barriga.
Eu fico desconcertado e tenho aquela sensação de "vergonha do outro". Eu até evito de fazer exercícios nas máquinas, pois tenho medo de sem querer acabar fazendo um som parecido com os que o Gritador faz . . . isso me deixaria realmente deprimido . . .



O CARA DO ESPELHO
Outro personagem que me deixa bolado é o "cara do espelho". Aparentemente ele mora na academia, pois não importa o horário que eu vá a academia (meus horários de folga são aleatórios, às vezes de manhã, outras à tarde ou noite) ele SEMPRE está lá, puxando ferrro SEMPRE de frente pro espelho, e depois de completar a série ele fica lá se admirando... esse cara pelo menos fica quieto, eu só finjo que ele não existe e fica tudo bem.
AS VOVÓS GATINHAS
Essas são hilárias, umas véias cheias de Botox e plásticas, com a bunda cheia de celulite, usando roupas de lycra e falando como adolescentes... hilário


O GORDINHO METIDO A BESTA
Esse sou eu... mas como diz o ditado popular: Sou gordo mas posso emagrecer, e você que é feio? (ou tem distúrbios de comportamento como o Gritador, o cara do espelho ou as vovós gatinhas)



CONCLUSÃO
Jogar Wii Fit é muito mais divertido do que ir pra academia !
VIVA O NINTENDO WII!!!!!!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Educação a distância em fisioterapia

Se você segue este blog, provavelmente é uma das milhares de pessoas que buscam atualização pela internet. Eu sei muito bem como é ... muitas vezes só sobra mesmo aquelas poucas horas antes de dormir para tentar nos manter atualizados. E se você vive longe dos grandes centros, então a coisa fica ainda mais difícil, pois é preciso se ausentar de sua cidade e arcar com despesas de transporte, estadia e alimentação para fazer qualquer curso ou pós graduação.
Dificuldades financeiras, de tempo e de locomoção são fatores que limitam a capacitação dos profissionais não só no Brasil, mas também em vários outros países. Neste sentido, a Educação a Distância (EAD) pode ser uma boa alternativa.
Tudo bem, talvez você esteja torcendo o nariz e pensando: como pode funcionar uma EAD em fisioterapia? como eu poderia aprender PNF pelo computador? Quem vai corrigir e avaliar a quantidade de força que eu aplico em um curso do conceito Maitland a distância? Obviamente existem limitações. Porém um curso a distância pode sim ter algumas aulas presenciais, sendo o conteúdo teórico totalmente ministrado pelo computador e a prática realizada em sala de aula na presença do professor. E aí, começou a ficar interessado(a)?
No Brasil, a Educação à distância encontra-se em franca expansão, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Fazer cursos a distância é uma tendência de mercado que finalmente está chegando a Fisioterapia. Levamos uma vida bastante corrida, muitas vezes saindo do hospital direto para a casa de um paciente particular que mora do outro lado da cidade. Muitos profissionais não têm disponibilidade de horários fixos que permitam seu comprometimento com a instituição de ensino. E é essa a vantagem que estes cursos a distância trazem: você pode definir o local e o horário do curso, exceto quando têm avaliações (algumas vezes presenciais) ou chats com professores e colegas de turma.
Mas será que o mercado aceita estes cursos? O Mercado aceita todos os cursos reconhecidos pelo MEC, o que fará diferença em um processo seletivo é o que você fez com o que você aprendeu no curso. Lembro que em muitos cursos que não exigem prova para o estudante receber o certificado, existe a figura que eu chamo de "aluno contribuinte"... aquela pessoa que chega tarde, sai cedo e que adora ficar fora de sala fumando um cigarro ou fazendo uma social durante o horário da aula.
Neste momento eu estou inscrito em um curso a distância do Hospital SírioLibanês e estou adorando a metodologia (http://siriolibanes.webaula.com.br/).
A fisioterapeuta Livia de Souza, do blog Papo de Fisio (http://papodefisio.blogspot.com/) recentemente me recomendou o curso de pós-graduação a distância Fisioterapia na Reabilitação das Patologias Vasculares Periféricas (acesse o site clicando aqui), reconhecidamente o melhor a distância. Bem, confesso que estou doido para me inscrever na pós a distância... mas deixa eu terminar primeiro o curso do SirioLibanês.
A colega Michelle, contribuiu com esta postagem, recomendando o curso que ela fez pelo site http://www.fisioemuti.com.br/

Espero que eu tenha conseguido colocar algumas minhocas na sua cabeça.
Se alguém tiver experiência em cursos à distância deixa um comentário.
hasta la vista

terça-feira, 13 de julho de 2010

O Rio de Janeiro terá feira de produtos e serviços para a Fisioterapia Esportiva e Reabilitação.


O Rio de Janeiro receberá de 15 a 17 de julho a 12ª edição da Rio Sport Show, principal feira voltada para o mercado de fitness no país. Este evento traz as principais tendências em serviços e equipamentos para os segmentos de fitness, nutrição esportiva e fisioterapia esportiva.

Entre os eventos paralelos que irão acontecer na Rio Sports, destaco a FISIOREAB Sports Expo - evento voltado para profissionais de saúde envolvidos com reabilitação.

É uma ótima oportunidade para conhecer novidades. Espero que eventos desta natureza se multipliquem e finalmente mostrem às empresas, hospitais, clínicas e clubes esportivos que reabilitação, além de assunto sério, pode também ser uma ótima oportunidade de negócios.

12ª edição da Rio Sport Show
Local: Píer Mauá – Cais do Porto RJ
Endereço: Av. Rodrigues Alves nº 10 – Pça Mauá
Data: 15, 16 e 17 de julho de 2010
Horário: das 13h às 21h
Cidade: Rio de Janeiro
Informações
Tel: (21) 3478-1999


Será que a reabilitação está finalmente deixando de ser vista como caridade?

Fui convidado para o evento, e estarei por lá na quinta-feira...

Até o próximo post

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Tratamento Fisioterapêutico na Paralisia Braquial Obstétrica

ATENÇÃO!

ESTA POSTAGEM É DIRECIONADA A ALUNOS E PROFISSIONAIS E NÃO SUBSTITUI O ACOMPANHAMENTO DE UM FISIOTERAPEUTA OU DE UM TERAPEUTA OCUPACIONAL.
Este blog é um espaço para alunos e profissionais de fisioterapia. Em hipótese nenhuma prescrevo exercícios ou faço consultas pela internet.

Ao terminar a postagem sobre Paralisia Braquial Obstétrica (PBO), percebi que eu não havia informado absolutamente nada sobre o tratamento de reabilitação. Admito que foi vacilo meu.
Para remediar esta situação, fiz uma busca no PubMed, no Scielo e no “Up to Date”, mas infelizmente não encontrei nada muito consistente.
Mas calma! Nem tudo está perdido. Em minhas buscas, encontrei um protocolo clínico do Ministério da Saúde do Kwait (não é zoação minha não, é do Kwait mesmo ! ) para o tratamento de crianças com PBO. Eu cruzei estas informações com a opinião de algumas colegas com experiência no tratamento destas crianças e elaborei a postagem de hoje. Pois é pessoal, nem sempre é possível justificar nossa conduta terapêutica com base em ensaios clínicos randomizados e controlados, mas enquanto este tipo de evidência não é publicada, podemos contar com a opinião de especialistas.
Espero que a postagem seja útil.

TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO DE CRIANÇAS COM PBO
Este protocolo é apenas uma recomendação e as orientações podem variar de paciente para paciente. Por isso antes de iniciar o tratamento, coloque seus neurônios para fosforilar e não se prenda a receitas de bolo.
O guideline do Kwait divide o tratamento em cinco fases divididas de forma cronológica. É interessante notar que cada uma das fases possui objetivos bem delimitados. Eu pessoalmente achei esta organização muito interessante, pois não é um protocolo burro, que engessa o tratamento, mas sim algo dinâmico e que permite adaptações em cada uma das fases.

FASES DE TRATAMENTO
Fase 1. Primeiras duas semanas
Fase 2. De 2 semanas aos 4 meses
Fase 3. Dos 4 aos 6 meses
Fase 4. Dos 6 meses ao primeiro ano
Fase 5. Do primeiro ao quarto ano.

Em relação aos cuidadores:A participação da mãe (ou do cuidador) é fundamental para o sucesso do tratamento. A pessoa responsável pelos cuidados da criança deverá assistir a todas as sessões para aprender com o fisioterapeuta e/ou Terapeuta Ocupacional as técnicas de manuseio e os ajustes posturais.

Fase 1: Primeiras 2 semanas
Objetivos Específicos: Educar o cuidador no manuseio e posicionamento da criança nas atividades de vida diária.
Nesta fase, a ênfase do tratamento é para a capacitação da mãe e/ou cuidador, com instruções e demonstrações de cuidados domiciliares.

1. Manuseio e posicionamento:• Instrua os pais para manter o braço preferencialmente em supinação e rotação externa (posição oposta à “gorjeta do garçom”).
• Educar os pais para observar a cabeça do paciente e mantê-la o máximo de tempo possível na linha média e usar uma almofada em forma de “C” (Fig. 1 e 2). Quando o paciente estiver em prono, não permita que a cabeça fique posicionada somente para um dos lados, modifique a posição de modo que alterne entre ambos os lados.

• Oriente para que o braço não fique solto no espaço quando a criança estiver no colo (Fig3). A mãe pode manter o cotovelo flexionado sobre o peito, mas não por longos períodos de tempo (Fig4).
• Oriente a NUNCA puxar ou levantar a criança pelo braço afetado.
Ensine aos pais a maneira correta de envolvê-lo em cobertas (Fig.5).
2. Atividades da vida diária:
• Para vestir uma blusa ou casaquinho na criança, comece sempre pelo braço afetado e para despir, inicie sempre pelo o braço não afetado.
• Banho e higiene: Orientar a mãe para manter a axila sempre limpa e seca. No banho, apóie o ombro afetado e a escápula com uma mão (evite de deixar o bracinho balançando sem apoio) e lave o bebê com a sua outra mão livre.
• Alimentação: manter sempre o braço afetado fletido sobre o tórax do bebê ao alimentá-lo, e lembrar a mãe para alimentar o bebê tanto pela direita quanto pela esquerda.

3. Mobilização Passiva:
Mobilize suavemente na ADM passiva as articulações do ombro, cotovelo e articulações do punho (estabilizar a articulação proximal e movimentar a distal).

Fase 2: De duas semanas - 4 meses
Objetivos específicos:
A) Melhorar a ADM, Sensibilidade e força muscular.
B) Prevenir encurtamentos musculares
C) Garantir ao aquisição dos marcos de desenvolvimento motor adequados à idade (controle da cabeça, reações de endireitamento).

1. Continuar as mesmas condutas de cuidados domiciliares da primeira fase.
2. Se já houver encurtamento muscular, utilizar de modalidades de calor superficial, durante 15 min (eu pessoalmente nunca fiz calor superficial como pré-cinesioterapia em bebês... se alguém tiver alguma experiência colabore com o Blog!).
3. Exercícios suaves e lentos dentro da ADM disponível devem ser utilizados para manter a flexibilidade das articulações (Fig. 6 e 7). 4. Treinamento motor precoce com atividades adequadas a faixa etária (por favor, respeitem os marcos motores!) devem ser utilizados para incentivar movimento e evitar compensações com padrões de movimento inadequados (Fig8).
5. A estimulação tátil é na extremidade afetada pode ser feita ao se utilizar materiais com diferentes texturas, vibração e técnicas de escovamento para aumentar a percepção tátil do braço afetado.
6. Exercícios de descarga de peso são utilizados para aumentar o input proprioceptivo e co-contração isométrica (Fig9).
Estágio 3: dos 4 aos 6 meses
Objetivos específicos:
A) Aumentar/manter a ADM, sensibilidade e força muscular.
B) Alcançar os marcos motores e habilidades apropriadas à idade (rolar, reações de proteção e alcance).
C) Prevenir contraturas e deformidades articulares.

1. Continuar o mesmo programa dos estágios 1 e 2.
2. Encorajar atividades bimanuais para prevenir a negligência da extremidade envolvida. Principalmente para prevenir o desuso aprendido.
3. Caso seja necessário, pode-se utilizar órteses para prevenir maiores deformidades ou para iniciar os movimentos (Apêndice C do guideline original).
4. Terapia com bolas e rolos podem também ser utilizados para aumentar a mobilidade, força e input proprioceptivo e reações vestibulares, de retificação, equilíbrio, reações de proteção e coordenação (Fig 10 e 11). Observação: Fique atento para alterações circulatórias quando aplicando as órteses, como pontos de pressão vermelhos, edema, dormência ou resfriamento.

Estágio 4: Dos seis meses ao primeiro ano de vida.
Objetivos específicos:
A) Aumentar/manter a ADM, sensibilidade e força muscular.
B) Alcançar os marcos motores e habilidades apropriadas à idade (sentar, engatinhar, ortostatismo e marcha).
C) Prevenir contraturas e deformidades articulares.
1. Continuar o mesmo programa dos estágios 1, 2 e 3.
2. Conforme a criança cresce, a força e a coordenação melhoram pelo uso ativo do braço afetado. Fisio e TO devem estar atentos para utilizar atividades apropriadas ao desenvolvimento de modo a desenvolver e estimular habilidades funcionais específicas (Fig 12 e 13).
3. Embora o uso de eletroestimulação seja controverso e sua eficácia não tenha sido devidamente testada, ela pode ser usada em caso de mau prognóstico (a partir do sexto mês), com Eletro estimulação tipo Galvânica de 15 repetições para evitar a atrofia muscular e aumentar a percepção do membro Ref (1).

Estágio 5: De um a 4 anos.
Objetivos específicos:
A) Alcançar os marcos motores e habilidades apropriadas à idade ( habilidades com jogos e movimentos finos)
B) Prevenir o desuso aprendido.
C) Prevenir contraturas e deformidades articulares.
1. Quando apresenta contratura muscular, utilizar modalidades de calor superficial, durante 15 min. seguido de massagem ou técnica de liberação miofascial (lembrando que se houver alteração da sensibilidade esta conduta dever ser realizada com extrema cautela) .
2. Incentive as atividades bimanuais como jogos nos quais a criança precise segurar uma bola (basquete, queimado), subir uma escada, natação (Fig 14 e 15). Avalie bem o paciente, pois dependendo da gravidade da lesão estas atividades podem ser prejudiciais (principalmente aquelas em que a criança se pendura, como na figura 14 - se eu não tenho bons estabilizadores proximais, corre-se o reisco de uma nova lesão nervosa, desta vez do plexo inferior. Portanto MUITA ATENÇÃO!) .
3. Facilitar as atividades da vida diária e os movimentos finos para aumentar a força e a coordenação do braço afetado e mão.
4. Hidroterapia:
Ele pode ser introduzido nesta fase para evitar a tensão muscular, melhorar o controle muscular, aumentar a ADM, além de ser divertido para a criança.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Antes de iniciar o tratamento, algumas considerações:
1. Se houver luxação de ombro ou cotovelo, a articulação afetada deve ser estabilizada e apenas exercícios em cadeia cinética fechada deverão der utilizados.
2. Em casos de artrite juvenil de ombro, deve ser evitada a compressão articular (aproximação do úmero contra a glenóide) e todos os exercícios deverão ser realizados dentro da ADM livre de dor.
3. Apenas mobilizações suaves devem ser utilizadas quando há lesão dos tecidos moles.
4. Se houver fratura na clavícula, inicie o tratamento após duas semanas de repouso, e uma radiografia recente se faz necessária para confirmar a consolidação da fratura.
5. O tratamento deve ser interrompido se o paciente desenvolver uma doença infecciosa, ferida aberta, ou febre.
6. Modalidades térmicas de tratamento não devem ser utilizadas se houver perda de sensibilidade.
REFERÊNCIAS

PHYSICAL THERAPY MANAGEMENT of obstetric brachial plexus injury - Committee of Physical Therapy protocols, Office of Physical Therapy Affairs, Ministry of Health,
Kuwait.

Guidelines on initial management and referral of Obstetric Brachial Plexus Palsy - Yorkhill Hospital,Glasgow, National Obstetric Brachial Plexus Injury Service
Exercícios de ADM Passiva para criança com PBO

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Revista Saúde Empreende Número 3


Já está disponível a edição n° 3 da revista saúde empreende. As matérias deste número estão particularmente interessantes para quem atende pacientes em consultório e em domicílio, pois abordam a importância da sua imagem profissional para não só atrair novos pacientes, mas também para fidelizá-los ao tratamento.
Destaco também a matéria sobre redes sociais e, é claro, a coluna " não entre em pânico", editada pelo blogueiro que vos fala.
O acesso à revista é livre e gratuito, acessando o site:
http://www.inkover.com.br/revista-saude-empreende/n-3

Valeu pessoal.