Introdução (ou algo que o valha)

Já vou logo avisando.
Não atualizo esse blog com a frequência que vocês merecem, mas quando resolvo escrever uma postagem eu pesquiso o tema com uma dedicação canina e redijo o texto com carinho maternal. Quanto a isso, dizem por aí que só existem 3 certezas na vida: A Morte, o Imposto de Renda e as informações encontradas neste blog (essa última certeza é fruto de um dos meus delírios de grandeza, hehehe).
Espero que encontrem a informação que procuram, que tirem as dúvidas, e que algum dia eu ganhe sozinho na mega sena.

domingo, 15 de agosto de 2010

Jornada Científica APGDS, 2010

Divulgando mais um evento no RJ. Desta vez a VI Jornada Científica da APGDS (Associação de Praticantes do Método GDS), que será realizada no dia 18 de Setembro de 2010, de 09:00 às 18:00 no South American Copacabana Hotel. Endereço: Rua Francisco Sá 90, Copacabana - RJ.

No ano passado, eu tive a honra de participar da V Jornada Científica da APGDS a convite da presidente da associação Renata Ungier. Realmente um evento muito bem organizado, com palestras bem diversificadas e a presença de um convidado Internacional (fato que enriqueceu bastante o evento). Esta é uma excelente oportunidade para conhecer um pouco mais sobre o método GDS.

Se Interessou?
Inscrições e Informações



tel: (21) 2249-4384

Rua Visconde de Pirajá 550/1213 Ipanema, RJ


Valores:

Profissionais: R$ 70,00
Estudantes: R$ 60,00
Sócios: R$ 50,00
Ateliê: R$ 30,00 (cada)

Ateliês práticos:
Pilates e GDS na Dinâmica Gesto/Postura
Consciência Postural para Atores: Uma abordagem GDS
Movimentos Integrativos - A dança das Cadeias Musculares
O jogo das ações e das reações do método GDS
GDS e Dançaterapia: O GDS como eixo norteador, educativo, artístico e terapêutico na dança singular de todos nós.



sábado, 14 de agosto de 2010

Jornada de Pediatria do Hospital Federal de Bonsucesso


Estão abertas as iscrições para a segunda Jornada de Pediatria do Hospital Federal de Bonsucesso/RJ (Antigo Hospital Geral de Bonsucesso).

Como vocês podem perceber pela imagem ao lado, as inscrições são gratuitas. ISSO MESMO ! Sem letras miúdas, sem enganação e sem pedir seu título de eleitor pra se inscrever. Totalmente 0800. Destaco o Workshop de Ventilação Não Invasiva (vagas limitadas).
Vai ter Coquetel de abertura e Lunch Box na hora do almoço (esse é o nome chic daquelas merendeiras de isopor que vem com refrigerante, sanduíche, maçã e um chocolate de tiragosto).

Mas se alguém, assim como eu, acha que isso não é o suficiente pra forrar o estômago, tem a opção de caminhar menos de 200 metros e comer no Habib´s, (Bib esfirra a R$0,59 !!!!), ou se preferir pode atravessar a rua e pedir um Mc Capitalista Feliz no Mc Donald´s, com direito a uma boneca Barbie fabricada por criancinhas chinesas (já que o simpósio é de pediatria, tudo haver).
Interessou? Então garanta já sua inscrição. Veja as instruções abaixo
Para baixar a programação da jornada, clique AQUI e baixe o arquivo
Não tenho certeza, mas por acaso eu avisei que as iscrições são gratuitas??

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Exercícios de Equilíbrio e Propriocepção para o Tornozelo

A entorse de tornozelo é provavelmente a lesão mais comum em esportistas [1], sendo a entorse em inversão o tipo mais freqüente, ocorrendo em cerca de 85% das vezes. Vários estudos demonstram que se não for tratada adequadamente, a entorse de tornozelo pode levar à instabilidade crônica, que pode afetar o desempenho e predispor o atleta ao risco de se lesionar novamente [2-5].
Freeman propôs o termo Instabilidade Funcional (IF) para designar o “falseio” que alguns pacientes referem mesmo após terem completado o programa de fisioterapia [6]. Neste ponto, é preciso diferenciar a IF da instabilidade mecânica (IM), a qual possui uma etiologia anatômica clara. Esta distinção é importante porque Freeman escreveu que o FI estava presente em cerca de 40% das lesões do ligamento lateral do tornozelo, e que esta instabilidade seria causada por déficits dos impulsos nervosos provenientes do tornozelo [6]. Em outras palavras: um déficit envolvendo propriocepção. Vale apena relembrar que a propriocepção é a capacidade de reconhecer como o corpo está orientado no espaço e fazer os ajustes necessários para evitar lesões. Proprioceptores nos músculos que agem sobre o tornozelo fornecem feedback para atingir e manter o equilíbrio. Freeman também sugeriu que este déficit poderia ser permanente, resultando em prejuízo para a estabilização reflexa dos músculos da perna e tornozelo.
Quando estes conceitos são aplicados na prática clínica, torna-se evidente que cabe ao fisioterapeuta elaborar e implementar um programa de reabilitação para tratar estes déficits. Um programa de reabilitação pós entorse de tornozelo deve levar em conta os seguintes fatores: A compreensão da estrutura e função da articulação do tornozelo, seus receptores associados, e seu envolvimento com o sistema locomotor, e no caso de atletas, treinamento específico para atender às demandas do esporte de forma a permitir o retorno pleno a atividade [7] Programas de reabilitação para o tornozelo devem abordar a proteção das estruturas ligamentares, manutenção da amplitude de movimento, fortalecimento da musculatura de suporte e treino de equilíbrio e propriocepção.

PROTEÇÃO DAS ESTRUTURAS
Durante a fase inicial do tratamento, os objetivos são: diminuir o edema e proteger as estruturas danificadas. Diversos têm demonstrado os efeitos prejudiciais do edema sobre a ação muscular reflexa [8]. Ao identificar este problema, o fisioterapeuta deve iniciar o protocolo PRICE (proteção, repouso, gelo, compressão e elevação). Exercícios suaves de amplitude de movimento podem ser iniciados ainda nesta fase.

AMPLITUDE DE MOVIMENTO E FORÇA
Seguindo aos exercícios de amplitude de movimento ativo-livres conforme tolerado, pode-se começar a pensar em atividades contra resistência, pois o ganho de força é também um componente importante para o reforço da propriocepção [9].

Inicialmente, as atividades de resistência podem ser executadas aplicando-se a resistência manualmente, pois assim o fisioterapeuta é capaz de adaptar a sua resistência para alcançar um nível máximo sem dor. Além disso, evita-se o risco de suscitar um movimento inesperado ou inadequado do tornozelo.

Pode-se progredir para exercícios em cadeia cinética fechada (CCF). Neste caso, é importante ter em mente que as atividades em CCF, em oposição a atividades em cadeia cinética aberta, simulam melhor as atividades funcionais do tornozelo. Além disso, equilíbrio e estabilidade também são trabalhados melhor em CCF por meio da co-contração muscular. Um exercício inicial em CCF seria o apoio unipodal independente (ou com ajuda externa mínima) sobre o membro afetado, enquanto movimenta o membro inferior não afetado alternadamente entre a abdução, flexão e extensão, de preferência sem tocar o solo entre um movimento e outro. Isto exige a adaptação a mudanças no centro de gravidade sobre uma base relativamente pequena de apoio.

Em seguida, pode-se progredir para a utilização da prancha de equilíbrio com os olhos abertos e depois fechados para minimizar o efeito do feedback visual. Lembrando que atividades de força também podem ser feitas em CCF.



REABILITAÇÃO ESPECÍFICA PARA O ESPORTE
No caso de estar tratando atletas, o objetivo da fase final do programa de tratamento é a segurança de retorno ao esporte com o menor risco de nova lesão. Assim, o fisioterapeuta deve examinar de perto o desporto do atleta e tentativa de replicar as suas exigências, tanto quanto possível na reabilitação.

Quem quiser ter mais idéias sobre exercícios de propriocepção, tem uns videos muito bons no youtube. No video seguinte, dá pra ver alguns exercícios básicos para tornozelo. Quem já tem experiência em fisio desportiva provavelmente não vai achar nada de mais. Mas mesmo assim recomendo assistir. Não só pelo conteúdo mas principalmente pela trilha sonora. Aumenta o volume pra ouvir Back in Black do AC/DC ! ! ! ! !


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O video seguinte tem uma seleção de exercícios que eu não conhecia e que achei muito interessantes. O vídeo começa os som do bom e velho Ozzy Osbourne. Pena quea segunda música não segue o mesmo gênero musical... bom, não tenho do que reclamar. Podia ser pior. Podia ser música sertaneja.




REFERÊNCIAS


[1] Garrick JG, Requa RK. The epidemiology of foot and ankle injuries in sports. Clin Sports Med 1988;7(1):29-36.

[2] Diamond JE. Rehabilitation of ankle sprains. Clin Sports Med 1989;8:877-891.

[3] Bernier JN, Perrin DH, Rijke A. Effect of unilateral functional instability of the ankle on postural sway and inversion and eversion strength. J Athlet Train 1997;32(3):226-232.

[4] Lentall G, Baas B, Lopez D, et al. The contributions of proprioceptive deficits, muscle function and anatomic laxity to functional instability of the ankle. J Orthop Sports Phys Ther 1995;21(4):206-215.

[5] Rozzi SL, Lephart SM, Sterner R, Kuligowski L. Balance training for persons with functionally unstable ankles. J Orthop Sports Phys Ther 1999;29(8):478-486.

[6] Freeman MA. Instability of the foot after injuries to the lateral ligaments of the ankle. J Bone Joint Surg 1965;47B(4):669-677.

[7] Molnar ME. Rehabilitation of the ankle. Clinics in Sports Medicine, 1988;7(1):193-204.

[8] Tropp H, Ekstrand J, Gillquist J. Stabilometry in functional instability of the ankle and its value in predicting injury. Med Sci Sports Exerc 1984;16(1):64-66.

[9] Newton RA. Joint receptor contributions to reflexive and kinesthetic responses. Phys Ther 1982;62:22-29.

LINKs

http://scoretrain.com/balancetraining.aspx


Como diria Keith Richards:

"todo mundo deveria nascer com uma guitarra,
haveriam menos suicídios no mundo"

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Exercícios e artrose de joelho - ligando evidência e prática

A revista Physical Therapy iniciou em janeiro de 2010 uma série de artigos que investiga temas de reabilitação baseando suas discussões e conclusões em evidências científicas. Esta proposta chama-se Linking Evidence and Practice , o que pode ser traduzido como Ligando Evidência e Prática. Esta é a tradução livre do segundo artigo, o qual tenta responder a uma questão bastante simples: Exercícios podem ajudar um paciente com artrose moderada bilateral de joelhos?
acesse o artigo original em inglês clicando AQUI,
e leia a tradução do primeiro caso LEAP sobre agudização da DPOC


INTRODUÇÃO
A osteoartrose, ou simplesmente artrose é uma das principais causas de deficiência, particularmente na população idosa. A dor e a limitação funcional são as principais queixas dos pacientes. Diretrizes internacionais recomendam o tratamento conservador como conduta inicial, incluindo uso de medicamentos, exercícios, orientações e perda de peso. Neste contexto, os exercícios são utilizados para tratar problemas específicos como a redução da amplitude de movimento, limitação de atividades, e adiminuição da força muscular e do condicionamento aeróbico.

Leve uma lição para casa
Fransen e McConnell realizaram uma revisão sistemática Cochrane para avaliar os benefícios do exercício na osteoartrose de joelho considerando 2 critérios básicos: dor e função física (Tab. 1). Nesta revisão, foram incluídos 32 ensaios clínicos quase-randomizados controlados que comparam os exercícios a uma intervenção sem exercícios. Os resultados mostraram pequeno benefício dos exercícios na redução da dor e na melhora da função física. Pelo fato dos estudos variarem enormemente na modalidade e dosagem de exercícios, não foi possível sugerir uma estratégia de exercícios ótima. Entretanto, pode-se afirmar que a maioria dos estudos ofereceu um programa baseado no fortalecimento, com ou sem exercícios de amplitude de movimento ou aeróbicos. Observou-se que o fortalecimento muscular dos membros inferiores, os exercícios aeróbicos, ou uma combinação dos dois parecia ser igualmente eficaz para a melhoria da dor e função física.


Tabela 1- Exercício para a osteoartrose do joelho: Resultados da Cochrane Review
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- 32 Ensaios clínicos controlados, randomizados e quasi-randomizados foram incluídos, 3.616 participantes forneceram dados referentes a dor e 3.719 participantes para a função física auto-relatada.
- Os participantes destes estudos preencheram os critérios diagnósticos de artrose de joelho estabelecidos pelo American College of Rheumatology ou relataram dor em joelho e foram recrutados na comunidade ou em clínicas de ortopedia, reumatologia e fisioterapia.
- Os estudos compararam exercícios com qualquer outra intervenção que não envolvesse exercícios (mais comumente: sem tratamento/ fila de espera ou programas de orientações). Os programas de exercícios variaram bastante em relação à execução (individual VS em grupo), tipo de exercícios e intensidade. 20 estudos incluíram exercícios de fortalecimento, e 9 incluíram exercícios aeróbicos em seus programas de exercícios.
- Somente os dados da avaliação mais imediata após o período de tratamento foram relatados. Em geral, os exercícios proporcionaram pequeno benefício em reduzir a dor e melhorar a função física
Dor:
Houve um benefício pequeno, porém estatisticamente significativo a favor dos exercício (Média da diferença = 0,40, intervalo de confiança 95% = O,30 - 0,50). A escala mais comum para mensuração da dor foi a sub escala de dor do Western Ontario e McMaster Universities Osteoartrite Index (WOMAC) (15 estudos), seguido pela escala visual analógica (9 estudos).
Função física auto-declarada
- Houve um pequeno e benefícios estatisticamente significativos para o exercício (media da diferença = 0,37, intervalo de confiança de 95% = 0,25-0,49). A mensuração da função física foi feita mais freqüentemente utilizando a sub escala função física do WOMAC (17 estudos)." De um modo geral, o tipo, intensidade e dosagem dos exercícios não influenciaram os resultados, exceto que um maior número de sessões de contacto entre fisioterapeutas e pacientes aumentou o efeito do tratamento.
- Estudos com desenhos mais rigorosos (por exemplo, estudos cegos, com amostra maior) produziram efeitos menores, embora ainda estatisticamente significativos
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Esta revisão tinha algumas limitações: Somente estudos em inglês foram incluídos, e apenas os resultados de curto prazo foram analisados (sem follow up). Ensaios clínicos randomizados, publicados desde a revisão Cochrane de 2008 encontraram efeitos benéficos similares a favor dos exercícios. Entretanto, uma revisão sistemática que investigou os benefícios a longo prazo mostrou que o exercício não tem um efeito significativo na dor ou na função física após 6 meses (isto é: os pacientes do estudo só praticaram exercícios durante o período de estudos, sendo reavaliados 6 meses após interromper as atividades), salvo quando sessões extra de exercícios foram aplicadas (ou seja, retornou ou manteve os exercícios após o término da pesquisa)

Exercícios podem ajudar este paciente?
Sr. S é um homem de 55 anos, com história de dor bilateral em joelhos nos últimos 3 anos, de caráter progressivo, sendo pior à esquerda. Ele informou que nos últimos 3 meses estava trabalhando em tempo integral, sentado em uma mesa na maior parte do dia (trabalho sedentário), seu peso aumentou 10 kg e seus sintomas pioraram significativamente. O Sr. S relatou a dor em joelho esquerdo como sendo 6 de 10 na escala visual analógica (Tab. 2), ele estava usando uma bengala para caminhar e tinha sintomas à noite, rigidez matinal que se resolvia após cerca de 15 minutos, e sintomas que se pioravam ao longo do dia .

Sua dor era agravada por andar mais de 15 minutos, ao subir ladeiras e também por longos períodos sentado. O Sr. S encontrou alívio usando uma bengala, movendo seus joelhos quando sentado, e tomando em doses regulares de um medicamento anti-inflamatórios não esteróides e paracetamol, As radiografias mostraram uma diminuição do espaço articular na região medial do joelho, com formação de osteofitos. Em geral, sua apresentação foi consistente com artrose moderada.

O Sr. S informou que tinha ligeira dificuldade em realizar suas atividades diárias. Na escala funcional paciente-específica (Patient-Specific Functional Scale ), que vai de 0 a 10, onde uma pontuação de 0 indica "incapaz de realizar a atividade" e 10 "capaz de realizar a atividade no mesmo nível que antes", ele identificou três atividades que ele tinha dificuldades: caminhar em uma superfície plana, subir ladeiras, e permanecer sentado (Tab. 2). O Sr. S não tinham limitações na ADM do joelho, porém relatava dor ao final do arco de flexão do joelho esquerdo. A extensão do joelho foi ligeiramente mais fraca do lado esquerdo. Ele também tinha encurtamento muscular na panturrilha e isquiotibiais, mais evidentes à esquerda.

Como os resultados da revisão sistemática Cochrane se aplicam ao Sr. S?
Os exercícios são recomendado como parte dos cuidados iniciais para a artrose, e os resultados da revisão Cochrane apóiam a utilização de exercícios. O próprio Sr. S afirmou que não tinha rotina regular de exercícios, e que seu objetivo era adotar um regime de exercícios adequados que pudessem ajudá-lo a melhorar sua habilidade de andar e diminuir sua dor.

O Sr. S começou um programa de exercícios que incluíram fortalecimento de quadríceps e glúteos e alongamento dos músculos da panturrilha e isquiotibiais. A dosagem para o fortalecimento e alongamento foi baseada nos achados do exame físico, e os exercícios foram progredidos para exercícios funcionais com aumento da resistência, conforme ele melhorava. Estes exercícios incluíram exercícios de sentar e levantar, exercícios no step com ênfase no bom alinhamento dos membros inferiores, e exercícios de resistência para o músculo glúteo médio na posição em pé com um Thera-Band azul.* Após quatro semanas, ele foi capaz de iniciar um programa de caminhada, começando com 20 minutos em dias alternados, e progredindo 5 minutos caso não houvesse piora dos sintomas, até o momento que pudesse tolerar confortavelmente 45 minutos, ele também conseguiu uma bicicleta estacionária emprestada e foi incentivado a usá-lo por no máximo 20 minutos, 3 vezes por semana. Ao longo deste período, o Sr. S recebeu informações sobre a osteoartrose e a importância dos exercícios e da perda de peso.

Quão bem os resultados da intervenção prevista para o Sr. S coincidem com aqueles sugeridos na revisão sistemática?
Após oito semanas de fortalecimento, alongamento, caminhada e exercícios de bicicleta, o Sr S relatou uma diminuição na sua dor. Sua função física melhorou. A diminuição da dor na escala analógica visual e a melhora na função física na Escala Funcional Paciente-Específica foram maiores do que a diferença mínima clinicamente significativa para cada escala (Tab. 2). O Sr. S relatou que agora ele era capaz de caminhar por quase uma hora antes de precisar descansar e raramente precisava usar a bengala.

Você pode aplicar os resultados da revisão sistemática Cochrane aos seus próprios pacientes?
Os achados da revisão Cochrane aplicam-se bem ao Sr.S. Ele tinha déficits específicos que poderiam ser resolvidos com exercícios, além disso, ele estava entusiasmado por um programa de exercícios para melhorar a sua condição. Como uma pessoa de meia idade cujos sintomas eram moderados, porém agravados pelo estilo de vida (o sedentarismo e aumento do peso), o Sr. S é um paciente típico com osteoartrose. Portanto, os benefícios de exercício podem ser esperados de pacientes que seguem um programa de exercícios. A revisão Cochrane mostra que as variações do tipo de exercício, do conteúdo e dosagem não influenciam os resultados, o que significa que os fisioterapeutas podem adaptar os exercícios para o paciente individualmente (por exemplo, programas de exercícios domiciliares Vs academia de ginástica, exercícios de fortalecimento versus exercícios aeróbios vs tai chi).

O que pode ser recomendado com base nos resultados desta revisão sistemática?
Pacientes com osteoartrose de joelho muitas vezes experimentam dor e problemas em atividades que envolvem o membro inferior ou posturas prolongadas (por exemplo, sentar-se), bem como a rigidez após uma noite de sono. Exercício podem ajudar estes déficits específicos. A osteoartrose de joelho é também uma condição potencialmente deteriorizante e sem tratamento curativo. Portanto, os pacientes com osteoartrose de joelho podem se beneficiar de exercício no manuseio desta desta condição a longo prazo. É papel do fisioterapeuta prescrever exercícios adequados aos objetivos do paciente, estilo de vida e estado geral de saúde, além de garantir que o programa de exercícios seja progressivo e desafiante. Os benefícios dependem da adesão do paciente ao programa de exercícios. Até o momento, evidências mostram que, embora o exercício sejam benéficos a curto prazo na redução da dor e melhorando a função física, estes benefícios podem não persistir no longo prazo. Portanto, estratégias para aumentar a adesão a longo prazo para o exercício, como a adição de sessões de reforço, podem ser necessários para maximizar os benefícios do exercício para pessoas com artrose do joelho.

Taí o resultado da intervenção de fisioterapia :
o Sr. S todo feliz da vida, tirando a maior onda de tiozão surfista

domingo, 8 de agosto de 2010

Fisioterapeutas no Haiti após o terremoto: Buscando um equilíbrio entre serviços humanitários e pesquisa

Esta é a tradução livre de trechos do editorial da revista physical therapy de julho de 2010. O autor do texto original chama-se Michel D. Landry. Ele é membro do Instituto de Reabilitação de Toronto (IRT), e trabalha em parceria com a fundação “Healing Hands for Haiti” (http://www.healinghandsforhaiti.org/) em uma unidade de reabilitação de lesões medulares sediada no Haiti para o tratamento dos sobreviventes do terremoto.


Fisioterapeutas no Haiti após o terremoto: Buscando um equilíbrio entre serviços humanitários e pesquisa


Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de 7,0 graus na escala Richter devastou a pequena nação caribenha do Haiti. Poucas horas após o evento um grande fluxo de ajuda humanitária começou a chegar a capital Porto Principe (Port-au-Prince), por via aérea, marítima e terrestre (através da República Dominicana). Seis meses após o evento, muitos dos detalhes ainda permanecem "preliminares", no entanto sabe-se que pelo menos 220.000 pessoas morreram, e apesar desta incrível contagem, acredita-se que as taxas de mortalidade seriam ainda maiores caso a comunidade internacional não respondesse tão rapidamente. Entre os profissionais que participaram do esforço global pelo Haiti haviam fisioterapeutas de todo o mundo.


MORTALIDADE REDUZIDA RESULTA EM MORBIDADE AUMENTADA
A missão principal das equipes era a de salvar vidas. No caso do Haiti, observou-se que taxas de mortalidade relativamente baixas geraram taxas de morbidade altas (ou seja: muitos sobreviventes sequelados). Estima-se em cerca de 300.000 o número de pessoas feridas durante o terremoto. Entre 2.000 a 4.000 pessoas sobreviveram com amputações, mais de 200 sobreviveram com lesões medulares, e milhares com fraturas. O fato é que o terremoto criou uma população de deficientes físicos. Mesmo antes do terremoto, o Haiti já era um ambiente bastante hostil para o deficiente, tanto no plano social quanto de uma perspectiva estrutural/arquitetônica. A destruição que este terremoto causou fez da acessibilidade e do alojamento para estas pessoas uma questão ainda mais crítica (Fig. 2). Esta demanda por reabilitação não pode ser ignorada. Desta forma, criou-se uma responsabilidade ética e moral da comunidade internacional para também prestar serviços de reabilitação adequados, de forma a garantir algum nível de qualidade de vida para estes indivíduos.

Antes do terremoto, por exemplo, haviam poucas pessoas no Haiti com TRM. Devido à baixa prevalência desta condição, poucos locais no Haiti atendiam lesados medulares. Além disso, os profissionais de saúde haitianos tinham pouca experiência com lesões tão complexas. Em comparação com os EUA, que iniciaram sua experiência em reabilitação de traumatismos medulares quando os soldados retornaram após a Segunda Guerra Mundial. Desta forma, os conhecimentos no tratamento das lesões medulares na América do Norte têm sido desenvolvidos ao longo dos últimos 65 anos, enquanto que no Haiti somente após janeiro de 2010.


NÓS PRECISAMENOS DE EQUILÍBRIO ENTRE OS SERVIÇOS HUMANITÁRIOS E PESQUISA
Pode parecer prematuro sugerir a necessidade de pesquisas, dado que muito sofrimento ainda existe no país. No entanto, é preciso compreender melhor os efeitos do terremoto do Haiti. Há duas áreas principais de investigação científica que devem ser realizados neste contexto:
A primeira linha de investigação deveria explorar os tipos de lesões que ocorreram como resultado direto do terremoto. Por exemplo, identificar o perfil clínico das pessoas que sobreviveram ao terremoto e principalmente daquelas que sobreviveram com TRM proporcionaria importantes insights sobre a etiologia e o mecanismo das lesões que ocorrem em um desastre desse tipo. Baseados apenas em nossa experiência junto a HHA, suspeitamos que muitas dos sobreviventes com TRM são jovens (menos de 30 anos), possuem poucas co-morbidades, e apresentam lesões vertebrais nos segmentos tóracicos baixos ou lombares altos.
Acreditamos que poucos indivíduos com lesões cervicais sobreviveram, pois somente os menos graves poderiam resistir à morosidade do processo de triagem e posterior transferência entre as várias instalações em todo o Haiti. O perfil dos pacientes é provavelmente diferente daqueles vistos no Canadá ou nos Estados Unidos, estas características poderiam ser utilizadas no planejamento do socorro a futuras emergências desta natureza. Por exemplo: antes de iniciar a avaliação dos pacientes haiitianos com TRM, acreditávamos que os cuidados com as úlceras de pressão seriam uma área prioritária, porém observamos que as úlceras de pressão (em sua maioria na fase IV) estavam sendo bem administradas, enquanto faltavam cuidados em relação ao intestino e bexiga.
A segunda linha de investigação prioritária está relacionada ao planejamento de alta para as pessoas com deficiências graves. A ausência de familiares (muitos estão desaparecidos ou morreram no terremoto) e a destruição da infra-estrutura dificulta enormemente a alta destas pessoas (Fig. 3).
As ONGs envolvidas nos cuidados às pessoas com lesão medular estão estudando opções e estratégias que vão desde a alta destes pacientes para barracas, a construção de casas independentes e integradas em uma comunidade, ou a criação de grandes instalações que abrigariam grupos de pessoas com deficiência. Esta última opção é vista com reservas pois poderia levar a crer que "institucionalizar" estas pessoas em grandes centros seria um retrocesso ao movimento global de deficiência.
Dado que não há uma solução que seja ideal ou mesmo adequadas em todas as configurações, a avaliação empírica de cada uma dessas opções (e outras) poderia fornecer uma base de evidências para o planejamento futuro.
De forma geral, as conseqüências do terremoto no Haiti podem gerar informações úteis e significativas, as quais poderão ser utilizadas não só para planejar o desenvolvimento futuro do Haiti, mas também para facilitar esse processo em outros países que venham a experimentar desastres naturais nos próximos anos. Em última análise, é nosso papel, como cidadãos globais, trabalhar na solidariedade com os haitianos, mas devemos também compartilhar as lições aprendidas para que possamos melhorar a resposta de emergência. Ao fazer isso, nós podemos buscar algum significado mais profundo para a tragédia no Haiti, honrar a enorme perda de vidas, e oferecer um tributo a todos que agora lutam para recuperar suas vidas enquanto vivem com deficiência.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Prevenção de quedas em idosos

Os traumatismos resultantes de quedas da própria altura são um dos principais fatores que ameaçam a independência dos idosos. Muitas das vezes as quedas ficam sem a devida atenção dos profissionais de saúde e mesmo dos familiares e/ou cuidadores. Isto ocorre por uma série de razões, entre as quais eu destacaria três: [1] No caso de não haver testemunhas da queda, o idoso simplesmente não menciona o caso a ninguém, principalmente se não resultar em lesão. [2] Tanto os cuidadores quanto o paciente erroneamente acreditam que as quedas são uma parte inevitável do processo de envelhecimento e [3] Muitas das vezes, durante o tratamento de lesões resultantes de uma queda deixa-se de investigar adequadamente as causas da queda.
Como é o caso de muitas síndromes geriátricas, a tendência a quedas está associada ao somatório de vários fatores de risco. O resultado desta combinação compromete a capacidade de compensação postural do indivíduo.


Mas calma! Nem tudo está perdido. Um número considerável de condições que predispõem a quedas em idosos são modificáveis. Os fisioterapeutas que cuidam de pacientes idosos precisam rotineiramente inquirir sobre quedas, para avaliar e identificar os fatores de risco modificáveis. Esta postagem concentra-se em estratégias para prevenção de quedas em idosos, focado na literatura científica e sem o menor interesse de ensinar receitas de bolo.

Prevenção de quedas - Vários estudos que investigam estratégias para a prevenção de quedas têm sido conduzidos. Investigou-se o papel dos programas educativos e de intervenção para melhorar a força ou equilíbrio, a otimização dos medicamentos, e a própria modificção dos fatores ambientais em casas ou instituições. Algumas intervenções têm como alvo um único fator de risco, enquanto outros têm tentado enfrentar múltiplos fatores. Em geral, as evidências sugerem que as intervenções planejadas sob medida para os fatores de risco específicos de cada idoso são muito mais eficazes do que as aplicadas como um pacotão do tipo “receita de bolo que vale pra todo mundo”.

Intervenções específicas - Uma revisão sistemática recente da Cochranne, disponibilizada em 2009, avaliou 111 estudos randomizados de intervenções para reduzir a incidência de quedas, e envolveu 55.303 pessoas idosas [Gillespie LD, Robertson MC, Gillespie WJ, Lamb SE, Gates S, Cumming RG, Rowe BH. Interventions for preventing falls in older people living in the community. Cochrane Database of Systematic Reviews 2009, Issue 2. Art. No.: CD007146. DOI: 10.1002/14651858.CD007146.pub2.]. Diversas intervenções em idosos residentes na comunidade foram capazes de reduzir a taxa de quedas (número de vezes que um idoso cai ao longo de um período de tempo), mas a maioria não reduziu o risco de cair (por exemplo, o número de pessoas que caem), ou seja: As intervenções não foram capazes de impedir que os idosos sofressem quedas, mas foram capazes de diminuir o número de quedas ao longo de um período de tempo. Este é um achado particularmente interessante para quem pretende conduzir uma pesquisa sobre queda de idosos: Concentre-se na taxa de quedas ao longo de um período de tempo e não só no número de idosos que sofreram quedas.

Exercícios – As intervenções de exercícios pesquisadas podem ser agrupadas em seis categorias:• Marcha e treino de equilíbrio• Treinamento de força• Flexibilidade• Movimento (como Tai Chi Chuan ou dança)• Atividade física geral• Endurance
Em estudos que incorporaram várias categorias de exercícios, resultaram em redução tanto da taxa de quedas quanto o risco de queda. A prática de Tai Chi, que contém elementos de treinamento de força e equilíbrio, foi considerado eficaz na revisão sistemática e em outros estudos [J Am Geriatr Soc. 2007 Aug;55(8):1185-91.A randomized, controlled trial of tai chi for the prevention of falls: the Central Sydney tai chi trial], embora possa ser menos eficaz em adultos mais velhos frágeis de alto risco para quedas [Logghe, IH, Zeeuwe, PE, Verhagen, AP, et al. Lack of effect of Tai Chi Chuan in preventing falls in elderly people living at home: A randomized clinical trial. J Am Geriatr Soc 2009; 57:70.]. Programas de exercício exclusivamente focado na melhoria da marcha ou no treino de equilíbrio reduziram a taxa de quedas, mas não o risco de cair. Intervenções que se centraram em apenas uma das outras cinco categorias de exercício não reduziu a taxa de quedas [Tinetti, ME, Kumar, C. The patient who falls: "It's always a trade-off". JAMA 2010; 303:258].

Ambiente / tecnologia assistiva - Em uma meta-análise de seis estudos, as intervenções de segurança aplicadas na casa não foram capazes de diminuir a taxa de risco geral de quedas, mas reduziu a frequência e o risco de queda para os indivíduos com maior risco de cair (exemplo: indivíduos com alterações visuais). A avaliação e a correção de alterações visuais (ex: catarata) isoladamente não reduziu o risco ou a taxa de quedas.

Educação - Educar as pessoas idosas sobre a prevenção de quedas como uma intervenção única, não reduzir a taxa e nem o risco de quedas.

Resumão e recomendações
Quedas em idosos são devidas a fatores extrínsecos interagindo com fatores intrínsecos relacionados a idade. Múltiplos fatores de risco já foram identificados, incluindo história de quedas, fraqueza de membros inferiores, idade, sexo feminino, déficit cognitivo, déficit visual, problemas de equilíbrio, o uso de drogas psicotrópicas, artrite, história de acidente vascular cerebral, hipotensão ortostática, tonturas e anemia.

Me parece razoável dizer que a intervenção para prevenção de queda em idosos é multimodal e multiprofissional. Como sugerido pelos estudos publicados, para um cuidado adequado, não adianta treinar a marcha isoladamente, ou apenas modificar os fatores ambientais. Faz-se necessário incluir uma intervenção conjunta dos profissionais médicos (Controle clínico, e ajuste dos medicamentos), dos fisioterapeutas (exercícios) e dos terapeutas ocupacionais (avaliação e adaptações ambientais e das AVD´s).

Mesmo quando os programas de prevenção da quedas tenham sido bem sucedidos em uma pesquisa controlada, a aplicação de intervenções semelhantes no “mundo real” nem sempre resultou na prevenção de quedas [Elley, CR, Robertson, MC, Garrett, S, et al. Effectiveness of a falls-and-fracture nurse coordinator to reduce falls: a randomized, controlled trial of at-risk older adults. J Am Geriatr Soc 2008; 56:1383. - - - Hendriks, MR, Bleijlevens, MH, van Haastregt, JC, et al. Lack of effectiveness of a multidisciplinary fall-prevention program in elderly people at risk: a randomized, controlled trial. J Am Geriatr Soc 2008; 56:1390.]. Neste caso, foram identificadas como possíveis barreiras para o sucesso na implementação das estratégias de prevenção, os seguintes fatores: [1] Resistência a aderência ao programa de exercícios e modificação do ambiente proposto. [2] Falta de expertise na implementação do treino de equilíbrio. [Tinetti, ME. Multifactorial fall-prevention strategies: time to retreat or advance. J Am Geriatr Soc 2008; 56:1563.]

Apesar de alguns resultados contraditórios, é razoável (e prudente) abordar os idosos que têm uma história de queda através de uma avaliação geriátrica multidimensional, com intervenções específicas aos fatores de risco identificados. É importante ressaltar que a maioria dos estudos na comunidade não aborda especificamente os idosos com comprometimento cognitivo. Assim, a eficácia das intervenções de prevenção de quedas nesta população permanence desconhecido.

1ª Feira Muito Especial de Tecnologia Assistiva e inclusão social das pessoas com deficiência do Rio de Janeiro

O Instituto Muito Especial, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), que trabalha há oito anos promovendo inclusão social da pessoa com deficiência, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia convidam para a 1ª Feira Muito Especial de Tecnologia Assistiva e inclusão social das pessoas com deficiência do Rio de Janeiro. O encaixe perfeito de ciência, tecnologia e responsabilidade social
Data: 24 a 27 de agosto
Local: Centro de Convenções SulAméricaEndereço: Av. Paulo de Frontin, 1 (esquina com Av. Presidente Vargas . Próximo a estação de metrô Estácio) - Cidade Nova . Rio de Janeiro . RJ
O evento acontecerá no 2° pavimento do Espaço Grand Ballroom.
Entrada franca.
Evento aberto ao público.
Informações:
Ligue: (21) 2286 - 3306
ou acesse: www.feiratecnologiario2009.org.br

Visite também a galeria muito especial
http://www.galeriamuitoespecial.org.br/home.php

A Galeria Muito Especial é um projeto do Instituto Muito Especial, A proposta é oferecer aos artistas com deficiência um espaço virtual para divulgação de seus trabalhos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Exercícios Pendulares de Codman


Ernest Amory Codman, (1869 - 1940) foi um cirurgião norte americano que fez importantes contribuições em seis diferentes campos da medicina (anestesiologia, radiologia, cirurgia de úlcera duodenal, oncologia ortopédica, cirurgia do ombro, e também no estudo de desfechos clínicos – mais tarde seria considerado um dos pais da medicina baseada em evidências).

Em 1934, ele propôs um tipo especial de mobilização do ombro, especialmente recomendada após o reparo do manguito rotador. Os exercícios de Codman, ou exercícios de pêndulo, como também são conhecidos, consistem basicamente na realização de uma automobilização por meio de movimentos circulares e pendulares com o braço, obtidos com movimentos suaves do tronco, sem a contração de qualquer músculo do ombro.
Segundo o livro “Exercícios Terapêuticos, fundamentos e técnicas” (Kisner e Colby), estes exercícios ajudam a aliviar a dor através de movimentações oscilatórias com leve tração e dão mobilidade precoce as estruturas articulares e líquido sinovial. A ênfase do exercício está em manter o ombro e o braço o mais relaxados possível. Neste sentido, existe uma discordância entre os profissionais quanto ao uso de pesos durante a execução deste exercício. Alguns argumentam que para relaxar bem, o paciente não deveria segurar nenhum peso, enquanto outros defendem que o peso ajudaria no alongamento e tração da glenohumeral... ambos os lados têm bons argumentos, e ainda não há estudos definitivos sobre o assunto.

Os exercícios pendulares de Codman são uma forma simples e custo eficaz para diminuir a dor e restaurar a amplitude de movimento do ombro após uma lesão ou cirurgia. Estes exercícios incorporam três padrões distintos de movimento do ombro: circundução, flexão e extensão (para frente e para trás) e abdução horizontal (de um lado para o outro).

Os exercícios pendulares geralmente são executadas usando apenas o peso de seu braço. Para aqueles que defendem a idéia de se utilizar pesos, a recomendação é que a carga seja introduzida gradualmente e que não exceda 2Kg (aprendi esta recomendação em um simpósio há muito tempo atrás, e não encontrei na literatura alguma justificativa para este limite).

Exercício de Codman

Eu estava planejando descrever os pormenores dos exercícios pendulares em suas três variações (rotação, para frente e para trás e latero-lateral) quando me dei conta que existe o youtube. Acho que não existe jeito melhor para aprender os exercícios de Codman do que assistindo alguém fazer. O problema é que no youtube tem várias pessoas ensinado o exercícios de forma errada.Pis é, em no youtube nós podemos confiar!
O grande erro na execução desta técnica está em não orientar o paciente a iniciar o movimento pelo corpo. O paciente deve deixar o braço afetado solto, com os músculos do pescoço, ombro e cintura escapular o mais relaxados possível. Ele deve evitar ao máximo contrair os músculos desta região. O movimento do braço deve ser conseguido a partir do deslocamento do corpo (e não ativamente pelo próprio braço). Este é o detalhe mais importante do exercício, e onde a maioria das pessoas erra! O exercício pode até parecer meio ridículo, mas é a maneira correta. Assista o vídeo abaixo e confira um vídeo que apresenta atécnica da forma correta. Perceba como o fisioterapeuta deixa o braço relaxado e inicia o movimento pelo corpo.





Como podem ver, o cara dá uma reboladinha pra conseguir o movimento. Concordo que é um negócio meio ridículo, mas é isso ou ficar com dor e atrasar o processo de reabilitação. Vale a pena enfatizar que o paciente não precisa fazer isso em público.

Encontrei um site chamado CYBERPT que tem um vídeo com a demonstração correta das 3 técnicas de mobilização.
Aliás, se alguém conseguir copiar o vídeo por favor me envia uma cópia, OK?
ATUALIZAÇÃO:
Uma alma generosa atendeu ao meu pedido, copiou e gentilmente enviou o vídeo do site cyberpt. Estou disponibilizando o vídeo na minha pasta do 4shared para quem quiser baixar.
Espero que tenha sido útil.

Segue abaixo mais dois links interessantes

http://www.nismat.org/ptcor/shoulder

http://www.livestrong.com/article/104250-codman-shoulder-exercises/

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Algumas impressões sobre o livro Herdeiros de Esculápio.

Um grupo de estudantes de fisioterapia conversa despreocupadamente no corredor da faculdade. De repente, alguém comenta: - O que eu quero mesmo é trabalhar em uma UTI-Neo, pois assim concilio as duas coisas que eu mais gosto; o intensivismo e a pediatria. Logo em seguida um colega rebate dizendo que para ele o melhor é a fisioterapia desportiva. A partir dai seguiram-se argumentações apaixonadas em defesa da fisioterapia neurológica, ortopédica, dermato-funcional, etc . . . Até que uma aluna carente de bom senso resolveu dar uma declaração infeliz, afirmando que a fisioterapia pediátrica era uma sub-área; esta frase interrompeu a discussão e uniu todos os lados para rechaçar tal boçalidade. A conversa estava ficando cada vez melhor, mas precisou ser interrompida. A aula já ia começar.

Esta é uma cena relativamente comum nos corredores de uma faculdade, e provavelmente você já até participou de um bate-papo como este algumas dezenas de vezes. A possibilidade de sonhar com uma especialização (e até mesmo falar que existem “sub-áreas) só é possível porque a fisioterapia é uma profissão legalmente regulamentada e autônoma antes de mais nada. Mas para chegar aonde estamos hoje, foi preciso muito sangue suor e lágrimas.

Quem somos, de onde viemos, para onde vamos?
Em um passado não muito distante, os heróicos pioneiros da fisioterapia brasileira fundaram associações para lutar em defesa dos ideais da classe mesmo antes da profissão ter sido regulamentada ( isso mesmo, existiam fisioterapeutas antes do Decreto-Lei 938/69 – e não estou me referindo aos auxiliares não ). A Gênese da fisioterapia brasileira, incluindo um breve relato sobre a criação do COFFITO e do CREFITO-1 e alguns documentos que ilustram os bastidores das batalhas enfrentadas por nossa profissão são o grande mérito do livro “Herdeiros de Esculápio - História e organização profissional da Fisioterapia” de autoria do fisioterapeuta pernambucano Geraldo Barbosa, que muito lutou (e ainda luta) para o reconhecimento e valorização de nossa profissão. Na minha opinião, este livro deveria ser referência obrigatória na disciplina de fisioterapia legal, pois deixa bem claro que a fisioterapia não nasceu de um passe de mágica no ano de 1969, e principalmente, que qualquer conquista política de nossa categoria é precedida de organização e trabalho árduo. Este livro estimula o leitor a conhecer mais de sua história profissional e a se engajar politicamente nas lutas de nossa classe. Eu recomendo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Quem se interessar, pode visitar o blog 14-F (http://geraldobarbosa43.blogspot.com/)
Quem quiser um exemplar, solicite diretamente ao autor pelo e-mail
Boa leitura e hasta la victoria siempre!