Introdução (ou algo que o valha)

Já vou logo avisando.
Não atualizo esse blog com a frequência que vocês merecem, mas quando resolvo escrever uma postagem eu pesquiso o tema com uma dedicação canina e redijo o texto com carinho maternal. Quanto a isso, dizem por aí que só existem 3 certezas na vida: A Morte, o Imposto de Renda e as informações encontradas neste blog (essa última certeza é fruto de um dos meus delírios de grandeza, hehehe).
Espero que encontrem a informação que procuram, que tirem as dúvidas, e que algum dia eu ganhe sozinho na mega sena.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Vídeos de padrões anormais de marcha

Deixo hoje um link para o download de um arquivo com vários vídeos com exemplos de marchas patológicas.
Infelizmente o audio está em inglês, mas estou pensando seriamente em dispensar algumas horas do meu dia para legendar alguns destes vídeos.
Espero que gostem,

domingo, 24 de outubro de 2010

RPG Fisio Cartoons

Outro final de semana de chuva aqui no RJ. E desta vez fiquei à mercê da minha filha de 4 anos, que me torturou com requintes de crueldade, me fazendo assistir ao Corcunda de Notre Dame algumas dezenas de vezes.

Um pouco antes do meu espírito sair do corpo pra vomitar (acredite, aquelas canções enjoadas da Disney podem fazer isso ! ), comecei experimentar um estado alterado de consciência, e em meio aos efeitos alucinógenos do desenho animado, me dei conta de um fato curioso de grande importância para a fisioterapia:
Se o Quasimodo é francês, por que ele nunca fez RPG?
Problemas de divulgação da sua clínica?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Entendendo os Dermátomos

Esta semana me vi obrigado a estudar novamente o mapa corporal dos dermátomos e, como de praxe, decidi aproveitar os resultados dos meus estudos e criar uma postagem para compartilhá-los. De fato este é um assunto que a gente acaba esquecendo caso não pratique ou relembre com freqüência.
Quando estudamos neuroanatomia, aprendemos que os nervos espinhais são formados a partir das raízes nervosas dorsal (sensitiva) e ventral (motora) que se projetam para fora da medula. Pois bem, os músculos inervados por um único par de raízes motoras formam um miótomo, enquanto que as regiões da pele inervada por um único par de raízes sensitivas formam um Dermátomo.

O grande lance dos dermátomos é que cada raiz dorsal (sensitiva) garante a sensibilidade de regiões previsíveis do corpo humano, desta forma é possível criar um mapa corporal. Esta característica tem grande importância para o fisioterapeuta, pois a partir destes mapas é possível estimar, por exemplo, quais raízes nervosas sensitivas foram afetadas em um paciente com TRM, ou identificar qual raiz nervosa sensitiva está sendo comprimida por uma hérnia de disco (radiculopatia).
Em relação ao exame sensitivo, eu particularmente gosto de utilizar os pontos de referência recomendados pela ASIA (Associação Norte-Americana de Lesões da Coluna Vertebral) como forma de avaliação rápida. Obviamente, caso seja necessário, pode-se utilizar uma avaliação mais completa, pesquisando a descriminação de dor e temperatura. A descrição dos pormenores da avaliação sensitiva foge ao objetivo desta postagem, mas quem quiser aprender mais existe o site da Liga de neurocirurgia, com a descrição desta avaliação (acesso altamente recomendável!!!). Nos mapas, as fronteiras entre os dermátomos são geralmente bem definidas. No entanto estas fronteiras são apenas didáticas, pois existe uma considerável sobreposição de inervação entre dermátomos adjacentes. Além disso, é possível encontrar diferenças entre os mapas de dermátomos, mas de forma geral são diferenças discretas que não comprometem a acurácia da avaliação neurológica. .

Veja o mapa aqui em cima. Em verde temos os dermátomos originados nas raízes da coluna cervical, em azul os originados na coluna torácica, em rosa, lombar e por último, os dermátomos sacrais em vermelho. Parece caótico? sem lógica? Pois então veja a figura abaixo.


São os mesmos dermátomos, só que desta vez representados em um ser humano em uma postura quadrúpede. Veja agora como a distribuição parece muito mais ordenada... este é um possível resquício de nossos ancestrais quadrúpedes. Mas se é de fato ou não, pouco importa... isso é papo para uma mesa de bar numa sexta-feira, com direito a cerveja e bolinho de bacalhau. O que importa é que agora ficou mais fácil de visualizar os dermátomos e quem sabe até mesmo memorizá-los.

É isso aí galera, espero que tenha ajudado. Bom final de semana.
e que a Força esteja com vocês . . .

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Jogo online de Cirurgia Virtual de Artroplastia Total de Quadril

Olá Pessoal,
Mais uma vez pelas minhas andanças pela internet achei um site legal. Pra quem ainda não conhecia o site Edheads, vale a pena conferir. Ele contém alguns jogos online bem interessantes.
Hoje destaco o jogo de cirurgia virtual de artroplastia de quadril. Tudo bem que o jogo não é uma simulação exata do procedimento, mas convenhamos: quem teria saco de ficar horas e horas na frente do computador jogando uma cirurgia virtual?
O jogo é divertido e de certa forma instrutivo para fisioterapeutas. Vale a pena conferir.

Clique aqui para se divertir com este jogo online

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O Desuso Aprendido

Existe um fenômeno bastante discutido em neuroreabilitação chamado desuso aprendido. Este fenômeno, mais evidente no membro superior, pode ser observado principalmente em pacientes com hemiplegia devido AVE e lesões de nervos periféricos. É muito comum que estes pacientes tendam a utilizar preferencialmente o membro sadio para realizar tarefas, mesmo quando o membro afetado possui alguma função motora residual.

A teoria por trás deste fenômeno baseia-se no fato de que os déficits motores resultantes de lesões neurológicas não são reultado apenas da lesão em si, mas também dos efeitos de um processo de “aprender a não utilizar um membro”. Como este blog me permite fugir da redação formal de textos científicos, ouso ser dramático em afirmar que o desuso aprendido nada mais é do que a face perversa da neuroplasticidade, é como se passássemos uma borracha sobre o homúnculo de Peinfield, apagando o membro afetado. È mais ou menos como se o paciente perdesse o software cortical do membro enquanto o hardware físico ainda está lá. Sacou?

MAS E DAÍ ?
... e daí que a falta de uso induzida por uma paralisia gerando um "não-uso aprendido", impede ou limita gravemente a recuperação motora, comprometendo assim as possibilidades de reabilitação. Devemos estar atentos a este fenômeno, não só nos pacientes adultos, mas também, e principalmente, nas crianças. É importante frisar que os pacientes pediátricos nem sequer formaram ainda o engrama motor, mas estão com o cérebro fritando em novas sinapses, em um processo conhecido como neuroplasticidade.

Em relação aos conceitos de neuroplasticidade, eu gosto de pensar que dois grandes avanços marcaram a reabilitação neurológica particularmente em relação ao tratamento do desuso aprendido nos últimos anos:
[1] O acúmulo de evidências que sustentam o fato de que a inatividade após uma lesão neurológica é capaz de gerar o desuso aprendido, sendo que este fenômeno é acompanhado por uma reorganização cortical; e
[2] O acúmulo de evidências demonstrando que a estimulação motora ou sensitiva de parte do corpo após uma lesão cerebral também é capaz de gerar uma reorganização cortical (reorganização uso-dependente) e, conseqüentemente, a possibilidade de "conduzir a plasticidade".

MAS NEM TUDO ESTÁ PERDIDO
Baseado no arcabouço teórico da reorganização cortical, foi criada uma estratégia de tratamento denominada terapia de restrição e indução (TRIM). A TRIM é baseada em estudos iniciais realizados por volta da década de 70 e 80, pelo Dr.Edward Taub. Este estudo, descrito por vários autores, consistiu na realização de rizotomia dorsal em primatas, com a privação das sensações somáticas da extremidade superior. Após a realização de tal procedimento, o animal cessava imediatamente o uso da extremidade desaferenciada, e a restauração do uso foi induzida pela imobilização do membro intacto por vários dias enquanto o membro afetado era treinado.
A TRIM vem demonstrando resultados promissores, por meio de uma melhora significativa da função e do nível de controle motor. A terapia de restrição e indução do movimento se baseia em dois componentes principais:
(a) o treinamento motor intensivo da extremidade superior mais afetada, e
(b) a restrição motora do menos comprometido

Pois é, achou legal?

então leia também estes artigos que eu selecionei e bons estudos

TRATAMENTO DE RESTRIÇÃO E INDUÇÃO DO MOVIMENTO NA REABILITAÇÃO FUNCIONAL DE PACIENTES PÓS ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO.

The learned nonuse phenomenon: implications for rehabilitation.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

13 de outubro, dia do fisioterapeuta

Fisioterapeutas, uni-vos !
Resolvi iniciar a postagem de hoje parafraseando a célebre frase do Manifesto Comunista, de Marx e Engels. Não por causa de minhas opiniões políticas, mas sim para lembrar que nós, fisioterapeutas, precisamos nos unir cada vez mais como categoria profissional para garantir respeito e melhores condições de trabalho.
Hoje é 13 de outubro, dia do Fisioterapeuta. Deixo os parabéns a todos os colegas de profissão e em especial aos estudantes, nossos futuros colegas. Que possam exercer a fisioterapia de forma digna e apaixonada.
Sou Fisioterapeuta, e meu trabalho faz diferença!
Hasta la Victoria Siempre !!!!!

Natação e asma, este mês no Jornal de Pediatria


Recebi por e-mail os trabalhos publicados este mês no Jornal de Pediatria (JPED para os íntimos), e como de costume acessei o site para ler na íntegra alguns dos artigos, sendo que um deles me chamou bastante atenção. O artigo chamado "Avaliação espirométrica e da hiper-responsividade brônquica de crianças e adolescentes com asma atópica persistente moderada submetidos a natação". O nome impressiona, mas não é só pelo título que recomendo a leitura deste trabalho. Trata-se de um ensaio clínico controlado e randomizado, com uma metodologia bastante interessante, com direito a cálculo de tamanho amostral e otras cositas más. Mas além da metodologia, o grande lance deste trabalho é que ele ajuda a responder a pergunta: Fazer natação é bom para quem tem asma?

Todo mundo já ouviu falar que natação é bom pra asma. Aproveito pra dizer que minha avó afirmava que banho frio também era muito bom pra asma. Aliás, ela também dizia que leite com manga era veneno e que assobiar de noite atraía cobras... Pois é, acabamos de entrar no terreno das crenças, e em alguns casos, as crenças populares podem ser muito convincentes. A relação entre asma e natação é uma destas situações. A propósito, quantos trabalhos científicos você já leu que justifiquem esta recomendação? Ou que compare um grupo de asmáticos nadadores a um grupo de asmáticos não nadadores?

O grande lance deste artigo é que ele investigou os efeitos da natação em uma população de asmáticos utilizando uma metodologia consistente e muito bem elaborada. Já na introdução os autores fazem uma mini revisão sistemática sobre o tema e levantam os trabalhos com resultados conflitantes e comentam a metodologia empregada. Vale ressaltar que este artigo mereceu um editorial, onde estas e outras questões também são levantadas. De fato o tema é fascinante e os autores fizeram um excelente trabalho (metodologia legal, leitura fácil e discussão brilhante) que certamente vai ajudar e muito a entendermos se natação é bom ou ruim para nossos pacientes asmáticos.

Quem quiser acesso ao texto integral, basta fazer o cadastro no JPED, é gratuito e de quebra você ainda recebe e-mails lhe avisando toda vez que sair um número novo da revista.

A propósito: Os resultados a curto prazo parecem indicar um efeito benéfico . . . mas faltam estudos de longo prazo para confirmar estes achados . . . Espero que o pessoal da UNICAMP prossiga neste estudo. Aguardo ansioso as cenas dos próximos capítulos.

Hasta la vista

domingo, 10 de outubro de 2010

Fisio cartoons

Eu sei que é bobeira, mas feriadão com chuva . . . nada de bom na TV . . . Junte isso tudo a uma tarde de domingo entediante, algumas cervejas e um pacote de biscoitinhos salgados que dá nisso.
Resolvi finalmente pegar papel e lápis para desenhar algumas de minhas idéias de cartoons de fisioterapia.
Não fiz questão de trabalhar a arte final... minha idéia é que seja bem amador mesmo (até porquê a cerveja já prejudicou um pouco minha coordenação motora).
Espero que gostem.

Problemas de comunicação com seus clientes ?

sábado, 9 de outubro de 2010

Ficha de estudo = Bupah

Olá pessoal,
Estou divulgando algumas Fichas de Estudo criadas pela estudante de fisioterapia e designer Tatiana Amery, proprietária do Blog Bupah (http://www.bupah.wordpress.com/
). Este material é direcionado para universitários. Eu gostei muito dos resumos e do layout das Fichas e tenho certeza que vão ajudar muito a galera que está em busca de boas notas na faculdade.
A Tatiana disponibilizou
a a opção de download de todas as fichas de estudo em um unico arquivo compactado (clique neste link - http://www.bupah.com.br/fichas/Fichas-de-estudo-BUPAH.rar)

São ao todo 12 fichas, que podem ser baixadas individualmente direto pelo blog Bupah, ou tudo de uma vez só, como explicado acima.

Vou deixar alguns comentários sobre as fichas que mais me chamaram a atenção.
Bons Estudos Galera!

MIÓTOMOS E GRUPOS MUSCULARES
O conhecimentos dos miótomos e dos dermátomos é essencial para o fisioterapeuta que pretende se especializar em Neurologia e Traumato-Ortopedia. Esta ficha traz uma tabela com os grupos musculares e raízes nervosas relacionadas. Muito útil, pois este tipo de coisa é meio chata de se memorizar, se você não usa acaba esquecendo e além disso, vira e mexe cai em concurso público. Portanto, façam o download e guardem o arquivo com carinho.
Interessou? Então faça o download desta ficha, clicando AQUI

MOVIMENTO OCULAR - MÚSCULOS E NERVOS
Você sempre se enrola quando vai estudar os pares cranianos relacionados aos movimentos oculares? Então seus problemas acabaram! Faça o Download desta ficha e aproveite as tabelas explicativas e as ilustrações dos músculos oculares e os movimentos produzidos por eles.
Clique AQUI e faça o download... aproveite e baixe também a ficha - 12 pares de nervos cranianos – Anatomia e função.

BASES BIOMECÂNICAS DO MOVIMENTO
Outro resumão bem legal sobre os princípios de biomecânica. Esta ficha está bem legal, pois relembra as 3 leis de Newton e também os tipos de alavanca do corpo humano.
Clique AQUI e faça o Download direto do blog Bupah

TIPOS DE CITAÇÕES - METODOLOGIA DA PESQUISA
Nesta ficha de estudo desenvolvida pelo Bupah, você encontra exemplos e explicações referentes aos tipos de citações utilizadas na elaboração de um trabalho metodológico: - Citação direta - Citação indireta - Citação de citação.
Basta clicar AQUI e você já sabe o que acontece.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Postura em quatro apoios.

A cinesioterapia é (ou pelo menos deveria ser) parte fundamental da maioria das sessões de fisioterapia. Além da correta prescrição e progressão dos exercícios terapêuticos, o fisioterapeuta deve prestar atenção especial ao alinhamento biomecânico do paciente. Saber identificar compensações e corrigir a postura durante um exercício é uma tarefa tão importante para o fisioterapeuta quanto saber prescrevê-lo corretamente.

Hoje vou falar sobre a postura de quatro apoios, que é o ponto de partida para muitos exercícios direcionados aos estabilizadores profundos da coluna lombar. Os exercícios em quatro apoios estão se tornando muito populares entre os fisioterapeutas graças aos conceitos de estabilização segmentar (core stability) e Pilates. Além disso, estes exercícios são também bastante utilizados nas sessões de fisioterapia neurológica.
Isso mesmo! Quatro apoios não serve só para malhar bumbum ou pra tratar pacientes com lombalgia. Pessoas com TRM, hemiplégicos e pacientes atáxicos também se beneficiam muito desta postura.

Os exercícios em quatro apoios recrutam grandes grupos musculares, como tríceps, glúteos, abdominais, interescapulares, além dos estabilizadores profundos da lombar e estabilizadores de ombro entre outros. Além disso, desde que realizados corretamente, estes exercícios ajudam bastante no controle neuromuscular.

O objetivo da postagem de hoje é comentar, mesmo que rapidamente, o posicionamento correto e os erros mais comuns que podem ocorrer ao se trabalhar um paciente na postura de quatro apoios.

POSTURA DE QUATRO APOIOS
Inicialmente, precisamos entender que quatro apoios não é a mesma coisa que “ficar de quatro” se assim fosse, atrizes pornô jamais teriam lombalgia ! ! ! !. O posicionamento correto nesta postura é fundamental para se obter o máximo de resultados. Desta forma, vamos ver o que é considerada como uma boa postura em quatro apoios:


#1 - Posição dos Membros:
Parece meio óbvio, mas devemos verificar se os joelhos estão alinhados com os quadris (tanto em termos de flexão/extensão quanto adução/abdução). E se os cotovelos estão posicionados em alinhamento com os ombros e os punhos alinhados com os cotovelos.
O detalhe mais importante referente aos membros superiores é NÃO TRAVAR O COTOVELO EM EXTENSÃO. Isso mesmo, uma leve flexão de cotovelo garante atividade muscular no tríceps braquial. Além disso, mão espalmada, dedos apontando para a frente e cotovelos em rotação externa (olécrano apontando para trás), garantem que os braços trabalhem ativamente para se manterem estáveis, fortalecendo os MMSS como um todo.
Na foto acima, podemos ver que embora o membro superior esteja alinhado, os cotovelos estão travados. Assim, não há atividade muscular, e a estabilidade é obtida simplesmente pelo alinhamento ósseo de forma totalmente passiva. Além disso, os membros inferiores não estão alinhados.

#2 – Alinhamento da lordose lombar.
Deve-se estar atento para a presença da lordose lombar aumentada ou invertida. O ideal é ajustar a pelve em posição neutra, com lordose lombar normal (ou o mais próximo possível do normal)
Na imagem acima, vemos que as costas formam um arco. Mantendo a coluna em uma longa cifose.

#3 – Escápula e ombros.
Assim como a lombar, é preciso ajustar a cifose lombar normal. Não permitir que o peito paciente “desabe”, deixando as escápulas em adução e elevação. Deve-se corrigir a postura do paciente de modo que as escápulas fiquem bem posicionadas no tórax (evitando que fiquem aladas, ou em adução ou elevação excessivas). O pescoço também não deve ficar afundado. É muito comum que os pacientes elevem os ombros utilizando o trapézio superior
#4 – Alinhamento da lordose cervical
Mesma coisa da lordose lombar, corrija a posição de modo a manter o alinhamento da curvatura cervical, sem se esquecer de orientar o paciente a manter o “queixo pra dentro” (ativação dos estabilizadores profundos do pescoço).



A foto acima é meramente ilustrativa. Ela foi retirada de um site sobre amiotrofia espinhal e nela é possível identificar (de forma bastante exagerada) diversos erros possíveis. Dá pra notar a lombar desabada, falta de alinhamento dos membros, travamento do cotovelo e também a ativação do trapézio superior, mesmo com o apoio para manter a cabeça elevada.

. . . Voilá, se você conseguiu fazer isso tudo parabéns ! Seu paciente estará em uma excelente postura! Caso não tenha conseguido, não se martirize, às vezes gasta-se bastante tempo só pra conseguir conscientizar um paciente para que ele fique na posição de forma adequada. O importante é evitar ao máximo as compensações e posturas erradas.

Antes de terminar, é preciso lembrar que estou me referindo apenas à postura estática em quatro apoios! Existem variações de exercícios onde o terapeuta irá de fato solicitar ao paciente que posicione-se com as pernas mais para trás, ou que arqueie suas costas, que exagere a curvatura lombar... isso tudo vai depender do objetivo terapêutico.

Muito bem, espero que tenham gostado. Aguardo comentários

Abraços

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ataxia e fisioterapia

Após um bom tempo sem postar, estou de volta, e desta vez cheio de gás!
Já que o assunto é o resultados das eleições, aproveito para comentar o resultado de uma enquete que fiz há algum tempo atrás para saber quais informações mais interessam aos leitores do blog. A mais votada foi "postagens sobre tratamento fisioterapêutico", seguida de "artigos traduzidos", em terceiro lugar ficou "provas comentadas" e por último (porém com uma votação significativa) "postagens sobre o que bem me desse na telha".
Pois bem, hoje deixo algumas informações importantes sobre ataxia, e no final algumas reflexões sobre o tratamento. Espero que seja útil.

ATAXIA
A ataxia é um distúrbio do movimento caracterizado pela incoordenação dos movimentos e controle postural insuficiente.
Etimologia:

A, do grego = não, negação.

Taxia = do grego “táxis”, ordem.
Desta forma, ataxia, literalmente significa sem ordem, incoordenação. Neste momento, é importante salientar que a ataxia é um sintoma, e não uma doença ou um diagnóstico específico.

A ataxia pode surgir como resultado de um AVE, de um TCE ou de lesão das vias sensoriais em seu trajeto pela medula devido a fraturas vertebrais. Outras causas incluem hipóxia, abuso de álcool ou drogas, infartos cerebelares, disfunção vestibular além de causas hereditárias e congênitas. Obviamente é importante conhecer a etiologia da ataxia para o tratamento da causa subjacente, no entanto, para o fisioterapeuta o objetivo de tratamento é sempre o de alcançar o melhor resultado funcional possível.

As ataxias podem ser classificadas em:

# 1 - Ataxia Cerebelar,
É causada por comprometimento do cerebelo e de suas projeções aferentes e eferentes (vias cerebelares). De forma geral, o paciente apresenta falta de coordenação dos movimentos voluntários, por erros na força, direção ou extensão do movimento. Importante lembrar que lesões no cerebelo não causam paralisia, paresia ou qualquer déficit sensitivo.

# 2 - Ataxia Sensitiva, também denominada ataxia de sensibilidade proprioceptiva.
É causada por comprometimento das vias de sensibilidade profunda (fascículos grácil e cuneiforme), que regem o sentido das posições e dos deslocamentos segmentares (sensibilidade cinético postural)

# 3 - Ataxia Vestibular, também denominada ataxia labiríntica.
É causada por disfunção do sistema vestibular e de existência controversa. Cursa com comprometimento do equilíbrio, sem alteração da coordenação motora e dos movimentos apendiculares.

# 4 - Ataxia Frontal, uma forma rara de ataxia com comprometimento do córtex frontal (via cerebelo-frontal - responsável pelo planejamento do ato motor), podendo ser causada por infartos subcorticais frontais múltiplos; tumores frontais; hematomas subdurais.

Para mais detalhes sobre as lesões do cerebelo, resultando em problemas de fala, incoordenação motora, ataxia e aprendizagem motora, vale a pena sair da frente do computador, se deslocar até a biblioteca da faculdade e consultar o livro Fisioterapia, Avaliação, Tratamento e Procedimento 4ª Edição. O'Sullivan, Susan B. O'Sullivan, Thomas J. Schmitz.


TRATAMENTO
Na ataxia o paciente apresenta tremores, incoordenação, distúrbios de equilíbrio, postura e marcha. O atendimento de fisioterapia deve ser planejado de forma a promover a estabilidade postural, estimular precisão de movimentos dos membros (sem perder a estabilidade ! ), além do treino de marcha. A estabilidade postural pode ser melhorada com foco no controle da postura estática em várias posições diferentes, como por exemplo na posição de puppy (deitado com apoio nos cotovelos), sentado, quatro apoios, de joelhos, semi-ajoelhado e de pé. Esta progressão de posturas mais baixas para mais altas é usada para aumentar a demanda muscular por meio da variação da base de apoio, variação do centro de massa do corpo do paciente.

Além disso, é legal promover atividades de mobilidade controlada (deslocamento de peso, balanço, entrar e sair de posturas ou transições de movimento) como por exemplo, pedir ao paciente para realizar tarefas como alcançar um objeto com a mão enquanto mantém a postura estável, como semi-ajoelhado ou mesmo de pé. (os gringos chamam isso de mobility on stability, ou seja: a capacidade de movimentar os segmentos corporais mantendo uma boa postura estática)

Sabe, eu gosto de pensar que eu faço meio que treinamento circense com meus pacientes. É meio estranho de explicar, mas imagine o seguinte: A princípio, todos nós temos o potencial para nos tornar trapezistas ou malabaristas. O que nos falta é coordenação motora. Se treinarmos bastante, podemos superar o nosso nível basal de habilidade e coordenação, e quem sabe até conseguir trabalhar num circo. Com o paciente atáxico é mais ou menos a mesma coisa, só que o ponto de partida não é o nível de habilidade basal, mas sim o prejuízo na coordenação causado pela ataxia. O paciente será treinado para se tornar um "malabarista atáxico" (no caso desenvolvendo sua coordenação motora, até o mais próximo possível dos níveis de uma pessoa considerada normal)

Um importante objetivo da terapia é promover o equilíbrio seguro e funcional. Exercícios terapêuticos são capazes de ensinar o paciente com ataxia a reduzir a oscilação postural (freqüência e amplitude) e melhorar o controle da posição e do alinhamento corporal.
Ao longo do tratamento, pode-se utilizar bolas suíças para desafiar o controle postural do paciente em uma superfície instável (mas isso só se faz em uma fase adiantada de reabilitação !!!! )

Exercícios de Frenkel deveM ser realizados lentamente, com o paciente utilizando o feedback visual para orientar o movimento correto. Os exercícios feitos corretamente exigem um alto grau de concentração mental.

Algumas vezes, a aplicação de pesos leves (eu disse LEVES!!!!) pode ser utilizada para fornecer um input proprioceptivo. Alguns trabalhos descrevem o uso de cintos ou mesmo jaquetas de pesos, com o objetivo de diminuir a dismetria e tremores de membros e tronco.

A piscina é um importante meio terapêutico para praticar o controle postural estático e dinâmico. A água oferece resistência graduada que retarda o movimento do paciente atáxico e pode ajudá-lo na recuperação da coordenação e controle dos movimentos.

... postagem ficando kilométrica... continuo outro dia...

Câmbio desligo
hasta la vista !